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Mostrando postagens com o rótulo memória afetiva

Entre mangueiras e lembranças

Uma crônica delicada e poética sobre reencontros com o passado. Caminhos da infância, árvores queridas, casas cheias de memória e o aconchego de um tempo que permanece dentro de nós. “Hoje me visitei — e fui casa, mangueira, jardim. Fui saudade em cada passo." Entre mangueiras e lembranças Revisito a rua da minha infância, as mangueiras do quintal, o colégio, o alpendre... Hoje me visitei. Vi a rua onde eu, criança, morei. Tudo igual, ao mesmo tempo que tudo mudado. Andei pela grande avenida até encontrar a praça - aquela praça. A praça aonde eu ia com meu pai, eu bem pequena, ele todo orgulhoso da filhinha quase neta. Ele me olhava com ternura, me mostrava aos amigos dizendo: "minha princesinha". Talvez por não ter acompanhado de perto o crescimento dos filhos de seu casamento anterior, quisesse compensar redobrando carinho e atenção aos filhos da idade madura? Não sei. A existência humana é um enigma. Nem sempre agimos como pensamos ser, como queremos ou sonhamos ser....

O último degrau

Somos feitos de quedas suspensas e de vitórias O movimento de quem, ao olhar para a escada de casa, evita o último degrau. Aquele onde a queda foi suspensa, onde o medo ainda ecoa como um silêncio absoluto. Sobrevivemos, mas a memória do impacto nos transforma.   O último degrau Na TV, uma notícia interrompeu a programação.  “Jovem morre ao cair de escada de quatro metros”, dizia o letreiro, frio como o piso que a esperava lá embaixo. Minha filha congelou.  Virou o rosto lentamente para a escada da nossa sala.  — Não posso nem me lembrar, sussurrou.  Foi um milagre eu não ter morrido. Tentei sorrir, fingir leveza:  — Você tem os ossos fortes. Mas ela olhou dentro dos meus olhos.  — Não, mãe. Foi um milagre. Quando caí, pensei que fosse morrer. Pedi a Deus: “Não me deixe morrer, Deus”. Fiquei em silêncio. Naquele dia, anos atrás, eu estava sozinha com ela. Ouvi o grito. Corri com um chinelo na mão, como se aquilo me desse poder. Pensava que a...