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Mostrando postagens de abril, 2022

Goiânia, além dos aparta-mentes

Vista de Goiânia - Praça do Sol Maio chegando e eu ainda em Goiânia, desde o início de março. Vim para tratamento de saúde. Disse para minha companheira de todas as horas, minha filha: “Vamos ficar esse tempo como se estivéssemos de férias. Férias longe de casa… férias para descanso da quarentena prolongada por mais de dois anos”. E assim estamos fazendo na tentativa de dar cara de férias redescobrindo a cidade entre ‘passeios’ em consultórios, clínicas e hospitais.     Saí deste lugar há mais de quarenta anos. Portanto, minha Goiânia ficou lá atrás, feita de casas. Hoje a capital goiana vive escondida em altos edifícios.   Goiânia e seus edifícios - Vista a partir da Praça do Sol Urbanização e Meio Ambiente  O mundo, ao querer alcançar o céu morando em caixas quentes de concreto nas alturas, não percebe que isso só o faz se esconder dos outros e de si mesmo. Não percebe que a vida escorre pelos ralos dos apartamentos, sejam eles grandes ou pequenos. Não sabe que a v...

O último degrau

Somos feitos de quedas suspensas e de vitórias O movimento de quem, ao olhar para a escada de casa, evita o último degrau. Aquele onde a queda foi suspensa, onde o medo ainda ecoa como um silêncio absoluto. Sobrevivemos, mas a memória do impacto nos transforma.   O último degrau Na TV, uma notícia interrompeu a programação.  “Jovem morre ao cair de escada de quatro metros”, dizia o letreiro, frio como o piso que a esperava lá embaixo. Minha filha congelou.  Virou o rosto lentamente para a escada da nossa sala.  — Não posso nem me lembrar, sussurrou.  Foi um milagre eu não ter morrido. Tentei sorrir, fingir leveza:  — Você tem os ossos fortes. Mas ela olhou dentro dos meus olhos.  — Não, mãe. Foi um milagre. Quando caí, pensei que fosse morrer. Pedi a Deus: “Não me deixe morrer, Deus”. Fiquei em silêncio. Naquele dia, anos atrás, eu estava sozinha com ela. Ouvi o grito. Corri com um chinelo na mão, como se aquilo me desse poder. Pensava que a...