Progresso ou destruição silenciosa? A cidade dorme, a ambição descansa (1 de 2) A cidade dorme, mas a ganância não Hoje, às cinco da manhã, a cidade parecia em paz. Fotografei os prédios ao redor: janelas apagadas, nenhum sinal de movimento. Um silêncio quase confortável, como se tudo estivesse, finalmente, em repouso. Mas não estava. Essa cena me levou de volta a outra madrugada, em Brasília. Ruas vazias, iluminadas artificialmente, dando a impressão de vida que não existia naquele momento. E, como um eco distante, lembrei de um verso antigo: “A cidade dorme / a ambição descansa.” Queria acreditar nisso. Mas não consigo mais. A ambição não descansa, ela apenas se torna invisível. Enquanto dormimos, florestas continuam sendo derrubadas. Rios seguem recebendo o que não deveriam. O mar engole o excesso que produzimos sem medir as consequências. Nada disso pausa porque a cidade apagou as luzes. Há decisões em andamento, contratos sendo cumpridos, processos que não param. Chamamos isso de ...
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