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O que aprendi com Brigitte

  Aprendi envelhecer sem medo s , sem constrangimentos, sem preconceitos tolos sobre idade. Nós, mulheres , crescemos em um sistema machista extremamente perverso, onde medo, constrangimento e preconceito são a tônica do meio onde vivemos . Em tudo e em todos os lugares. Mulheres são mulheres enquanto pele e corpo têm a vitalidade dos vinte, trinta anos. Depois, “é uma velha”, “ela já foi bonita, agora está velha”, ou seja, o conceito de mulher atrelado à juventude , a estar ou não jovem, a ser ou não ‘bonita’.     Um fato recente, muito comentado na internet, foi sobre algumas barbaridades ditas por um homem de 50 anos, com um corpo que, se fosse de uma mulher, seria classificado com alguma palavra de baixo nível por machistas iguais a ele. Falo do cantor Rodriguinho. Ele disse sobre o corpo de uma jovem de 35 anos, a Yasmin Brunet, em um programa de entretenimento : “j á foi melhor, mas tá bem bonita ainda” ( …) “Você percebe que ela está mais velha, que ela largou a ...

Um mergulho nas águas da infância

O que o rio me ensinou sobre o mundo Um mergulho nas águas cristalinas da infância em Goiás e a busca por clareza em um mundo cada vez mais turvo. Uma crônica sobre memória, tempo e resiliência. Um mergulho nas águas da infância Relembro o rio de águas claras da minha infância em Goiás O rio de Goiás que habita minha memória não é apenas água corrente. É um estado de espírito que o tempo, com sua insistência em turvar as coisas, ainda não conseguiu soterrar completamente. Quando fecho os olhos, sinto a temperatura daquela correnteza. Um frio que despertava a pele e acalmava a alma. Eu era, naqueles dias, uma extensão da própria margem. Não havia "eu" e "natureza". Havia apenas o movimento. Eu via as pedras no leito, cada uma com seu desenho único, como se fossem joias que o rio polia apenas para os meus olhos. Os peixinhos, em seus bailados rápidos e prateados, não me temiam. Éramos todos habitantes daquela mesma clareza. Ali, a infância aprendia com a geografia. O ...

O Desabafo de uma Árvore do Cerrado

Sou mais uma planta do cerrado. Meu tronco tem marcas de queimadas, minhas companheiras foram arrancadas, e vejo eucaliptos onde deveriam estar ipês.   O Desabafo de uma Árvore do Cerrado (2023)  Uma atualização da crônica "Monólogo de uma árvore do Cerrado" (2009)* Em 2009, publiquei uma crônica emocionante narrada por uma árvore nativa do Cerrado, que desabafava sobre as queimadas, a perda de suas irmãs e o avanço de espécies exóticas em seu habitat. Mais de uma década depois, decidi revisitar essa voz poderosa e refletir sobre como as coisas podem ter (ou não) mudado para as árvores do Cerrado. Infelizmente, muitos dos desafios descritos na crônica original permanecem atuais. O fogo, o desmatamento e a substituição de espécies nativas ainda ameaçam a existência dessas guardiãs silenciosas. No entanto, a determinação em resistir e o apelo por uma convivência harmoniosa também seguem ecoando. Compartilho agora uma nova versão desse "Desabafo de uma Árvore do Cerrado...