A vida não espera. E hoje é o dia para semear gestos que valham a pena ser lembrados.
O ano em que escolhemos nadar
Histórias reais e o valor do Agora
A vida segue sem pedir licença. E o que fazemos com nosso tempo é o que realmente importa.
O ano vira como o rio dobra a curva: sem alarde. Quando percebemos, já estamos mais abaixo, levados pela água, olhando as margens passarem depressa demais.
Há pessoas que atravessam a vida assim. Não dormem. Mas também não despertam. Seguem na correnteza, confundindo movimento com escolha, velocidade com sentido, ruído com presença.
Dizem que há quem acorde depois de décadas em coma. O corpo imóvel, a vida seguindo. Filhos crescidos, cabelos brancos, o mundo outro. Quando despertam, veem tudo de uma vez: o tempo inteiro condensado num susto.
O curioso é que muitos de nós fazemos o caminho inverso. Estamos de pé, andamos, respondemos mensagens, cumprimos horários. Mas não vemos. Não escutamos. Não escolhemos. A vida passa e, assim, vamos sendo levados.
No fim do ano, chegamos a uma margem rara. Um trecho mais calmo do rio, onde é possível parar por um instante, tocar o fundo com os pés e perguntar: “Estou nadando ou apenas boiando?” Porque há uma diferença fundamental entre seguir a água e habitar o rio. Entre repetir e viver. Entre consumir os dias e estar presente neles.
Vivemos tempos em que até a verdade entra na correnteza. Corre solta, misturada a ruídos, empurrada por interesses, sem tempo para ser verificada.
Por isso, quando o mundo se reúne para afirmar que a integridade da informação* é um valor a ser cuidado, não fala apenas de dados ou notícias. Fala de atenção, de responsabilidade, de escolha consciente. Fala, no fundo, de não viver no automático.
Escolher nadar é desacelerar quando tudo empurra, olhar antes de compartilhar, escutar antes de reagir, amar antes que o dia acabe.
São gestos pequenos, quase invisíveis, mas são eles que funcionam como remos.
Sim, são gestos pequenos como os que citei lá em 2008, na crônica em que falei sobre uma pessoa** que permaneceu em coma por 19 anos:
· um bom-dia dito com presença,
· um toque de carinho sem pressa,
· um prato feito com cuidado,
· um “eu te amo” que não fica para depois.
Que o novo ano não nos encontre apenas em movimento. Que nos encontre conscientes da água, atentos à margem, responsáveis pelo rumo.
Que a gente não seja levada. Que a gente escolha nadar.
**Veja o post de 2008, Via Vida: Para refletir e viver
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#Vida #BomDia #Crônica #ValorizarAVida
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