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Mostrando postagens com o rótulo Escrita literária

Um caderno, uma casa, uma fênix

Fim de ciclo, casa nova, um caderno e uma fênix. Às vezes, renascer é apenas continuar.  Um caderno, uma casa, uma fênix Ela atravessou a ponte da cidade nova com a mala na mão e o coração ainda dividido entre o passado e o que viria. O sol batia no parabrisa do carro como se limpasse o caminho. Havia silêncio no banco de trás: só um par de sandálias, um caderno de capa dura e a promessa de uma nova história. Não avisou ninguém. Apenas foi. A casa era pequena, branca, com janelas que deixavam o vento entrar sem cerimônia. No quarto, uma parede sem quadros. E, no centro dela, uma pintura antiga: uma fênix vermelha, em traços firmes, com as asas abertas em meio às cinzas. Ninguém soube explicar quem a desenhou. Estava ali havia anos, disseram. Nunca apagaram. Ela olhou para aquela figura por alguns segundos. Parecia algo ridículo. Ou mágico. Não sabia. Nos primeiros dias, organizou os livros, fez café forte, tentou dormir cedo. Não conseguiu. A cabeça fervia como o fogão aceso. ...

Figurinhas, Shakespeare e silêncios

Shakespeare e silêncios que habitam o cotidiano. Uma crônica sobre literatura, afeto e os pequenos gestos que nos sustentam. Entre figurinhas, Shakespeare e silêncios. Quando até um recorte digital vira afeto. D ias nublados por dentro também pedem histórias. Hoje compartilho as minhas: Figurinhas, Shakespeare e silêncios * Hoje estou frágil. Não quero pensar muito. Ontem me distraí com fotos (quem me conhece sabe que amo fotografia). Aprendi fazer figurinhas através de fotos. Essas que usamos nas redes sociais. Fiz com imagens da minha filha, da minha mãe, dos meus irmãos. Foi mais que passatempo: foi gesto de afeto. Escolher os rostos, recortar sorrisos, enquadrar memórias. É curioso como até um recurso digital pode nos devolver um pouco de presença, mesmo em dias nublados por dentro. Hoje, apesar da leveza de ontem, a alma ainda anda devagar. Quero retomar a leitura de Otelo . Estou no início da Cena II. Shakespeare é denso, mas seus personagens são tão humanos quanto nós. O ciúm...