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Um caderno, uma casa, uma fênix

Fim de ciclo, casa nova, um caderno e uma fênix. Às vezes, renascer é apenas continuar. 


Amanhecer sobre um mar de ondas suaves, com a legenda: “Um caderno, uma casa, uma fênix.

Um caderno, uma casa, uma fênix


Ela atravessou a ponte da cidade nova com a mala na mão e o coração ainda dividido entre o passado e o que viria. O sol batia no parabrisa do carro como se limpasse o caminho. Havia silêncio no banco de trás: só um par de sandálias, um caderno de capa dura e a promessa de uma nova história.


Não avisou ninguém. Apenas foi.

A casa era pequena, branca, com janelas que deixavam o vento entrar sem cerimônia. No quarto, uma parede sem quadros. E, no centro dela, uma pintura antiga: uma fênix vermelha, em traços firmes, com as asas abertas em meio às cinzas. Ninguém soube explicar quem a desenhou. Estava ali havia anos, disseram. Nunca apagaram.

Ela olhou para aquela figura por alguns segundos. Parecia algo ridículo. Ou mágico. Não sabia.

Nos primeiros dias, organizou os livros, fez café forte, tentou dormir cedo. Não conseguiu. A cabeça fervia como o fogão aceso. Pensava nas escolhas, nas vírgulas que aceitou por medo, nos pontos finais colocados por mãos alheias.

Um dia, sentada no chão, com as costas apoiadas na parede da fênix, respirou fundo e escreveu no caderno:
 "Queimei, mas não terminei."

Depois disso, algo mudou. Passou a andar diferente. A falar menos, mas com mais verdade. Fez checkups. No físico, tudo bem. No mental, a alma estava exausta, mas viva.

Certa manhã, acordou antes do despertador. O céu ainda estava lilás. O silêncio era o mesmo. Mas dentro dela, não.

Vestiu a roupa como quem veste um novo tempo. E, antes de sair, parou diante da parede. A fênix parecia diferente. Mais vermelha. Mais firme.

Ou talvez fosse ela quem, enfim, estivesse pronta para voar.

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#fimdeciclo #renascimento #escrita

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Leia também “Nascentes, a última voz das águas

Leia, na próxima quinta-feira, a crônica ainda com título indefinido: “Poltrona 10” ou “Um desencontro”.

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Para ler as crônicas deste blog sobre a COP30, publicadas de outubro à dezembro de 2025, clique em VOZES DA TERRA - BLOG MULTIVIAS

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