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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas

Uma sombrinha, um bairro, um recomeço

Relendo o diário, reencontro a rotina das chuvas de janeiro: laboratório, passeio a pé, pequenas descobertas e uma pamonha que renova corpo e mente.   Uma sombrinha, um bairro, um recomeço O ano começa devagarinho  Mais um ano em Goiânia. Entre idas e vindas, completei um ano inteiro na minha antiga terrinha. (Logo depois da pandemia, em 2022, eu e minha filha também passamos um ano por aqui.) Goiânia em modo janeiro Relendo meu diário, notei que as chuvas de janeiro repetem a mesma música: começam leves, como quem pede licença e, de repente, tomam conta do dia e da gente. No início do ano passado, logo depois da nossa volta para Goiânia, num dia chuvoso como o de hoje, escrevi: Há dias em que a gente acorda sem disposição, sem força, como se o corpo tivesse virado um casaco pesado. Fico mais um pouco na cama, tentando negociar com o mundo. Mas o tempo não negocia. Ele vai. Vai.  Tic-tac, tic-tac , e pronto: quando percebo, a manhã já está alta. “Nove horas? Não acredito....

Caminhos que se desdobram

Quando criei o Multivias, em 2008, naquele primeiro convite silencioso, (V amos juntos caminhar?),  eu não sabia que estava abrindo um caminho que se desdobraria por tantos anos. Dezembro, um bom momento para avaliar nossas ações. Então, vamos falar sobre  Caminhos que se desdobram * Caminhar é uma das formas mais silenciosas de diálogo com o mundo. Foi assim que o Multivias** nasceu : do gesto de observar a natureza, registrar, refletir e partilhar. Cada imagem, cada texto, cada lembrança guarda em si o mesmo propósito: preservar o que ainda pulsa, o que resiste, o que floresce.   Sempre gostei de plantar, ainda que sem saber nomes científicos ou fórmulas de adubo. Aprendi apenas o suficiente para não deixar morrer as plantas que me cercam . T alvez isso diga muito sobre a forma como enxergo a vida. Cuidar é uma escolha. E escolhas diárias, mesmo as mais simples, podem ser gestos de resistência.   Quando criei o Multivias , em 2008*, pensei em abrir um espaço para f...

Um desencontro

Uma viagem curta, um desencontro na rodoviária, e o medo de perder quem amamos.   Um desencontro Foi nos anos 90. Minha mãe viajava quase sempre acompanhada, mas dessa vez viajaria só, sem a companhia da netinha de Goiânia, que já tinha vindo outras vezes passar parte de dezembro conosco. Tínhamos combinado com minha irmã: ela a embarcaria no ônibus, e nós a pegaríamos. Era uma viagem curtinha, apenas duas horas na estrada. De Goiânia a Brasília há duas opções: via Taguatinga ou direto, sem paradas. Há saídas de hora em hora. Claro, o direto é mais rápido, meia hora a menos. Ela sairia às quatro da tarde, e nós a pegaríamos às seis. Tudo combinado, tudo certinho. Cinco e meia, nós já estávamos na plataforma de chegada dos ônibus vindos de Goiânia. Minha filha segurava uma rosa nas mãos, esperando a vozinha que passaria dezembro conosco. Eu já de férias, minha filha também. Vozinha com oitenta e dois anos, viajando no horário escolhido por ela: — É mais fresquinho, argumentou, e nos...