Pular para o conteúdo principal

Caminhos que se desdobram

Quando criei o Multivias, em 2008, naquele primeiro convite silencioso, (Vamos juntos caminhar?), eu não sabia que estava abrindo um caminho que se desdobraria por tantos anos.


Dezembro, um bom momento para avaliar nossas ações. Então, vamos falar sobre 

Caminhos que se desdobram*


Caminhar é uma das formas mais silenciosas de diálogo com o mundo. Foi assim que o Multivias** nasceu: do gesto de observar a natureza, registrar, refletir e partilhar. Cada imagem, cada texto, cada lembrança guarda em si o mesmo propósito: preservar o que ainda pulsa, o que resiste, o que floresce. 

Sempre gostei de plantar, ainda que sem saber nomes científicos ou fórmulas de adubo. Aprendi apenas o suficiente para não deixar morrer as plantas que me cercam. Talvez isso diga muito sobre a forma como enxergo a vida. Cuidar é uma escolha. E escolhas diárias, mesmo as mais simples, podem ser gestos de resistência. 

Quando criei o Multivias, em 2008*, pensei em abrir um espaço para fotos e textos sobre o que eu via nas caminhadas e viagens: um ipê florido, o voo de um pássaro, um entardecer no cerrado. Com o tempo, percebi que o blog era mais que um álbum de fotos e de memórias; era um lugar de encontro. Encontro entre natureza e palavra, entre olhar e sentimento. A fotografia passou a dialogar com a escrita, e ambas se tornaram extensão uma da outra. 

Cada post é, de certo modo, um convite: olhe mais devagar, respire o instante, perceba o detalhe. Há beleza no simples e força no que parece pequeno. Caminhar é uma forma de orar, e observar a natureza é uma maneira de agradecer. É sublimação ou, como disse no primeiro texto de meu perfil, é sublim(e)ação.

Hoje, o Multivias segue sendo meu ponto de partida e de retorno. Entre letras, imagens e lembranças, sigo abrindo novas trilhas. Porque a vida, como a escrita, é feita de muitas vias.

—-

*Este texto dialoga com o primeiro post do Multivias, publicado em 2008. Leia Vamos juntos caminhar?

**O Multivias comemora hoje mais de um milhão e trezentos mil visitantes. Diariamente passam por aqui pessoas do mundo todo, conforme mostra a estatística do Blogger.

—-

Criado em 2008, o Blog Multivias nasceu do olhar atento para a natureza. Entre fotografia e escrita, este espaço reúne crônicas, memórias e reflexões sobre cuidado, tempo e meio ambiente.

——-

Leia também O Natal da Terra

——

Veja o dossiê Vozes da Terra - Especial COP30 | Blog Multivias 


Leia as crônicas deste blog sobre a COP30 (publicadas de outubro a dezembro de 2025), clique em  VOZES DA TERRA


 —


Navegue entre os posts das principais vias do Multivias:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog nos últimos 30 dias

Via Verde: Pequena, Vermelha e Adocicada: Que fruta é essa?

Galhos com frutos maduros e amadurecendo. Há alguns anos compramos uma muda de uma planta que diziam ser jambo. A plantinha foi crescendo e cada vez ficando mais diferente de um jambeiro. Quando começou a frutificar vimos que era uma fruta que não conhecíamos. O pior é que ninguém da vizinhança conhecia. É pequena, tem mais ou menos um quarto do tamanho de um jambo, vermelha e adocicada, quando madura. Você sabe que frutinha é essa? Árvore com tronco e galhos finos. Formato das folhas e frutinhas amadurecendo. Que fruta é essa?  Retiramos a pele de uma delas para mostrar a polpa. A pele é bem fininha... Cada uma das frutinhas possui duas sementes, parecendo uma semente dividida. Duas frutinhas ao lado de um jambo. Essa  foto foi feita ontem, domingo, após a colheita. ----------------------------

Via Verde: As Três Cores do Flamboyant, a Musa das Árvores

Flamboyant vermelho - Apesar desse flamboyant ser uma árvore nova, sua copa dá uma grande e gostosa sombra.  Minha filha, durante uma caminhada, passando sob o flamboyant. Beleza da copa florida Folhas, botões e flores do flamboyant  Flamboyant enfeitando o jardim do Tribunal de Justiça, em Brasília.  Flamboyant, espelho d'água e fachada do TJ.  Flores e galhos retorcidos do flamboyant. Flores do flamboyant - Veja, logo abaixo, esta foto em uma tomada mais próxima. Sempre quis clicar as flores de um flamboyant bem de perto. Não são belas? Flamboyant alaranjado - Três ou quatro árvores dando as boas vindas na entrada de uma lanchonete, na rodovia que liga Goiânia a Brasília ( Lanchonete Jerivá ). Flamboyants do Jerivá Flamboyant amarelo - Este está em Brasília, logo depois da Ponte das Garças - conhecida como 'a ponte do (Conjunto Comercial) Gilberto Salomão', no sentid...

Via Verde: Jurubeba, a Delícia Amarga do Cerrado

Jurubebas colhidas, em ramos saindo de um galho e folhas. Jurubeba: Folhas e frutos. Jurubeba: Galhos espinhosos. Jurubeba, jurupeba, gerobeba, joá-manso e outros nomes populares. ( Solanum paniculatum L .). Família das solanáceas. Que me lembre, comi jurubeba uma única vez, na chácara de uma amiga, perto de Hidrolândia, interior de

Via Verde: Limão Imperial

Como aquela frutinha chamada Noni* que encontramos em Goiânia, o limão imperial , para mim, também é uma novidade. Vi essa muda das fotos em um viveiro de Brasília. Só souberam me informar sobre seu nome. Nada encontrei também nas pesquisas que fiz via Google. O fruto parece uma pequena laranja, porém rajado, como suas folhas. Havia algumas pequenas flores, mas elas não estão bem visíveis nessas imagens. As fotos foram feitas em um horário inapropriado para fotografia. Infelizmente não pude retornar em uma hora melhor para tentar mais alguns cliques. Alguém conhece? Família  Citrus sinensis ? Limão imperial? Limão imperial -------------- *Noni - Veja a post Noni neste mesmo blog. --------------- Obrigada, amigos. De acordo com a estatística do Blogger estamos com mais de 400 mil visualizações de páginas. Neste exato momento (18:38 h) está marcando 401.156 visualizações. Estamos felizes! Queremos dividir essa alegria com todos vocês que por aqui passam....

Via Verde: Folhagens no Outono Brasileiro

Folhagens Caládio Nomes populares: Caládio e tinhorão, entre outros; nome científico:   Caladium bicolor .  Família  das aráceas. Costela-de-adão Nomes populares: Costela-de-adão, monstera, banana-de-mato,  abacaxi-do-reino,  ceriman;  nome científico: Monstera deliciosa . Família das aráceas. A flora nativa do Brasil é rica e diversificada. São plantas com flores e folhagens de cores que passam por todos os tons do arco-íris e de  formas e tamanhos os mais diversos. Em relação às folhagens, há com folhas gigantes, grandes, médias, pequenas e minúsculas. Essas destas fotos são algumas que consegui, aqui e ali, fotografar. Tenho mais fotos. Logo que consiga  identificá-las, deixarei por aqui. ... Cróton Cróton - É um arbusto que pode atingir de 2 a 3 metros de altura. Nome científico: Codiaeum variegatum . Família das euforbiáceas. Dracena (Veja mais sobre dracenas, neste blog, no post 'Dracena fragans, a Bela da T...

Via Verde: Gomeira, Uma Árvore Nativa do Cerrado

Post por nós publicado em novembro de 2012 no blog coletivo Terra, aquele abraço . Queremos acompanhar uma gomeira por um ano apesar do tempo escasso. Mas, quando a vontade é maior, o tempo apertado pode esticar, espero.   Gomeira no início da floração - Foto feita em 02 de nov. deste ano Foto do dia 15 de nov./2012 Foto de 15 de nov./2012 Gomeiras - Fotos de 02 de novembro Gomeiras - Fotos de 25 de novembro A Gomeira, árvore nativa do Cerrado, é também conhecida como goma-arábica, árvore-de-goma-arábica, gomeiro-de-minas, pau-d'água, pau-de-vinho, casca-doce, entre outros nomes populares. É da família vochysiácea, tendo como nome científico  Vochysia elliptica (essa espécie das fotos). Há alguns anos vejo essa árvore de flores vistosas, mas nada sabia sobre ela. Dia 15 deste, clicando uma delas, conheci uma engenheira florestal,* que me informou seu nome. A partir daí minha pesquisa ficou bem mais fácil. Fiquei sabendo, por exemplo, que as ...

Via Verde: Folha Santa - I

Flores fechadas e folhas da folha-santa. Ao fundo, um muro recoberto com a planta unha-de-gato. O que mais amo nessa planta, a folha-santa, além da beleza de suas folhas, são suas flores (são flores?). No início, antes de abrirem, parecem cápsulas que, ainda verdes, podem ser 'pipocadas', pois, ao apertá-las, emitem um ligeiro som de estouro. As fotos de hoje são de cachos de suas flores ainda amadurecendo. Vou, numa segunda etapa, mostrar também suas flores já abertas e, depois, a reprodução através, apenas, de uma folha.  Flor es fechadas da planta folha-santa. Ao fundo: Agave Cachos de uma planta da família das crassuláceas - Folha-santa. Ao fundo: Agave, dracena e palmeira açaí. Folha-santa ( Bryophyllum calycinum ). Família das crassuláceas. Sua reprodução é bem fácil: de qualquer pedaço de algum galho podem nascer várias mudas. Uma só muda em pouco tempo transforma-se em uma moita.  É uma planta medicinal. ...

Via Verde: Margarida-das-pedras

Margarida-das-pedras ( Brachycome multifida ). Família das asteráceas (ou compostas). Mimosa margarida originária do país dos cangurus, Austrália (Oceania). Gosta de sol pleno e de clima tropical, por isto tão bem adaptada ao Brasil. Sua propagação é bem fácil: pode ser através de sementes, divisão de touceiras ou até mesmo pela divisão da própria planta. Suas folhas são permanentes e as flores aparecem durante quase o ano todo ou, em certas regiões, durante todo o ano. Têm entre 15 e 30 centímetros de altura.   Pesquisando sobre o país de origem desta planta, descobri um filme que, pela sinopse, fiquei com vontade de ver. O filme é Austrália , com Nicole Kidman. É realmente um bom filme? Um bom início de semana! -------------------------

Via Verde: Boas Festas com Carambolas e Romãs

Sorte de quem tem por perto pés de carambolas e de romãs. É nesta época de festas de fim de ano, em pleno verão brasileiro, que eles florescem e frutificam. Enfeitados e coloridos com suas flores e frutos, festejam o Natal e o Ano Novo. Romãzeira - Suas folhas e flores por si só já fazem a festa: vão do verde claro ao verde escuro, passando por tons mesclados de rosa, amarelo e laranja. No meio das flores aparecem pequenas bolas verdes, com cabinhos pendurados. Verdadeiros sinos de Natal! A romãzeira compartilha conosco sua beleza e seus frutos não apenas no Natal. Seus grãos, brilhantes como jóias preciosas, estão presentes na ceia de réveillon. Sim, eles nos remetem a alegres brincadeiras - por muitos levadas a sério: São guardados em carteiras, deixados sob os pratos e por aí vai ... E, dizem, é um sinal de boa sorte para o ano que começa. Caramboleira - Quer um Natal bem brasileiro? Use a imaginação, enfeitando su...

Como fazer óleo com urucum

  Óleo com urucum feito por mim - fiz com azeite de oliva Meu pé de urucum Há alguns anos ganhei uma muda de urucum. Ela cresceu, transformando-se em uma bela árvore. Eu não conhecia pés de urucum quando ganhei a mudinha. Não sabia bem como ela ficaria depois de crescida. Curiosa, comecei a ler sobre o urucum. À medida que crescia, crescia também minha admiração. Suas folhas eram diferentes de todas as outras plantas que tinha em meu quintal. Quando ela floriu, foi uma beleza assim, grande, que não dá nem pra explicar. Fiz muitas fotos. Aliás, não apenas das flores. Fotografei suas folhas, sementes, os cachos marrons, bacias e baldes cheios de seus frutos, e até meu marido subindo nela para colher os urucuns. Vou deixar abaixo os links dos posts.   Como saborear óleo com urucum Em outubro de 2008 postei neste blog uma receita de moqueca com urucum. Na mesma postagem deixei outras duas receitas, uma ensinando como fazer urucum em pó e na outra, os passos para deixar o óleo...