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Mostrando postagens com o rótulo Literatura

Infinito

Colagem feita por Luísa Nogueira através do aplicativo Canva     A “Canção da América, de Milton Nascimento e o poema “Infinito”, de Luísa Nogueira, em uma reflexão sobre liberdade e conexões humanas. A crônica explora a finitude e a busca por relações significativas na existência. Infinito Enquanto relia o texto “Infinito”, escrito há alguns anos, a notificação do WhatsApp interrompeu meu momento de introspecção. Era uma mensagem de uma amiga querida, acompanhada de um vídeo sobre a “Canção da América”, de Milton Nascimento. Associava o trecho “Amigo é coisa pra se guardar / debaixo de sete chaves / dentro do coração” à amizade verdadeira, aquela onde amigos permanecem conosco, mesmo quando a vida muda e a distância física aumenta. Essas palavras pareceram ressoar profundamente, ligando-se à reflexão que eu tinha sobre o infinito e as conexões humanas. “Mergulhei no infinito”, pensei. E, naquele instante, percebi que o infinito não era apenas uma ideia abstrata, mas uma ...

O ano em que escolhemos nadar

 A vida não espera. E hoje é o dia para semear gestos que valham a pena ser lembrados .   O ano em que escolhemos nadar   Histórias reais e o valor do Agora A vida segue sem pedir licença. E o que fazemos com nosso tempo é o que realmente importa.   O ano vira como o rio dobra a curva: sem alarde. Quando percebemos, já estamos mais abaixo, levados pela água, olhando as margens passarem depressa demais. Há pessoas que atravessam a vida assim. Não dormem. Mas também não despertam. Seguem na correnteza, confundindo movimento com escolha, velocidade com sentido, ruído com presença. Dizem que há quem acorde depois de décadas em coma. O corpo imóvel, a vida seguindo. Filhos crescidos, cabelos brancos, o mundo outro. Quando despertam, veem tudo de uma vez: o tempo inteiro condensado num susto. O curioso é que muitos de nós fazemos o caminho inverso. Estamos de pé, andamos, respondemos mensagens, cumprimos horários. Mas não vemos. Não escutamos. Não escolhemos....

Um caderno, uma casa, uma fênix

Fim de ciclo, casa nova, um caderno e uma fênix. Às vezes, renascer é apenas continuar.  Um caderno, uma casa, uma fênix Ela atravessou a ponte da cidade nova com a mala na mão e o coração ainda dividido entre o passado e o que viria. O sol batia no parabrisa do carro como se limpasse o caminho. Havia silêncio no banco de trás: só um par de sandálias, um caderno de capa dura e a promessa de uma nova história. Não avisou ninguém. Apenas foi. A casa era pequena, branca, com janelas que deixavam o vento entrar sem sem que nada o impedisse. No quarto, uma parede sem quadros. E, no centro dela, uma pintura antiga. Era uma fênix vermelha, em traços firmes, com as asas abertas em meio às cinzas. Ninguém soube explicar quem a desenhou. Estava ali havia anos, disseram. Nunca apagaram. Ela olhou para aquela figura por alguns segundos. Parecia algo ridículo. Ou mágico. Não sabia. Nos primeiros dias, organizou os livros, fez café forte, tentou dormir cedo. Não conseguiu. A cabeça fervia c...