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Mudanças para um Novo Ano

Fotografia: Luísa Nogueira

Mudanças para um Novo Ano 

 

Mudar é transformar. É viajar para dentro ou para fora de nós mesmos. Mudanças remexem estruturas, podem ruir ou reforçar bases. Porém são necessárias, difíceis e exigem coragem.  

 

Sempre gostei de viajar, conhecer novos lugares, pessoas, cidades, diferentes ambientes. Quando jovem, eu tinha minha base. Era para ela que eu sempre voltava. Saía de férias em excursões da faculdade ou em grupos de amigas, sabendo que depois retornaria à minha rotina. Seguir meu curso pela manhã, voltar para casa onde sempre me esperava um almoço quentinho feito pela minha mãe. Depois, rapidamente, com livros e cadernos em mãos, olhar o roteiro de aulas já preparadas nos finais de semana. Ajustava aqui e ali meus planos de aula do dia e correndo pegava a rua até chegar ao colégio onde dava aulas. Voltava feliz, acompanhada por colegas e alunos. Mas, tinha dias que o cansaço chegava e eu ficava triste.  

 

Quando eu tinha tempo, ouvia meus discos de música clássica - que eu adorava! Amava particularmente um, com piano. Chopin? Mozart? Era o tempo das coleções; eu comprava muitas: de livros de literatura a discos de música clássica. Nos dias bons, eu lia ou estudava tamborilando e cantando baixinho. Nos dias que o corpo lembrava o que é ser mulher, eu acompanhava Mozart, Bach, Beethoven, Chopin, Schubert, Tchaikovsky ou minhas cantoras ou cantores favoritos, com lágrimas lavando mágoas, exaustão, desentendimentos, decepções, frustrações. Mas isso era passageiro. Afinal, nós mulheres, renascemos dia após dia e seguimos ainda mais fortes. 

Minha mãe contava que, no seu tempo, usava-se um procedimento chamado sangria para curar certos males. Sangrias curavam.  

 

Mulheres se renovam e renascem todos os meses.  

 

Mudanças renovam o ar, a esperança e a fé. E essa fé cresce à medida que o tempo passa. Também, pudera! O tempo é sábio. Sabe que nosso corpo precisará de muita fé para continuar seu caminho. Nosso corpo diminui em tamanho e forças, mas nossa fé diz que tudo está bem, “está ótimo, você é forte, já enfrentou tanta coisa, não é uma quedinha que vai te parar”. “Não lamente, continue!” 

 

Li em algum lugar que o ser humano envelhece quando troca sonhos por lamentos. É isso mesmo? Não podemos lamentar? Sonhe, sonhe sempre e siga como se você fosse durona. Durona, mas não imortal. Como no amor: Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure(Vinícius de Moraes). 
  

 

Planetas e moradas 

 

“Na casa de meu Pai há muitas moradas, disse o Sábio. Aí penso: Se planetas forem moradas, seremos eternos moradores das galáxias? Somente na Via Láctea,300 milhões de planetas como a Terra, segundo a NASA. Planetas de todos os tamanhos e para todos os gostos. Quentes, frios, insossos. Céus, infernos, purgatórios? Oiii? E a Terra, qual é? 

 

Rodeios ou filosofia? Não sei. Queria falar de mudança real, mudança de lugar, mudança devida de vida. De minha última mudança. Necessária, porém, dolorida.  

 

Todo parto é dolorido.  

 

Muitas vezes, mudanças exigem mais que coragem. Exigem fé. Ô tempo sábio! Tira aqui, tira ali, mas compensa em fé. Ele nos dá uma mina de fé. Porque muita fé é preciso.  

 

Sonhar é preciso. Viver é preciso. Fé é preciso.  


Sejamos sementes. Sementes de fé.  


Eu, com fé, fiz mais uma mudança. Uma mudança dentro de mim.  

 

O mundo é uma roda que gira, gira e gira. São nossas mudanças. Por dentro e por fora.  

 

Sigamos com fé. E que seja um  

 

Feliz Ano Novo! 


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