![]() |
| Messi, sempre um dos maiores no mundo do futebol |
O que o choro de um ídolo e a memória de um rio nos ensinam? Uma crônica sobre sucesso, perdas e a resiliência de quem continua escrevendo sua própria história.
Messi e a Copa2026
O mundo em suspensão: entre o gramado e o último degrau
O sol de 19 de julho de 2026 desenhou sombras longas sobre o mundo, mas a luz que alcançou cada um de nós parecia filtrada por lentes distintas.
Ontem, o planeta parou para assistir ao encerramento da Copa. No gramado, a silhueta curva de Messi, com a medalha de prata pesando como gravidade pura, tornou-se o espelho da nossa própria fragilidade.
O Messi, naquela imagem de ontem, tornou-se um símbolo universal da humanidade em seu momento de introspecção. O que vimos não foi apenas um atleta derrotado, mas um homem que, após uma vida inteira de conquistas monumentais, encontrou-se frente a frente com a finitude do seu próprio auge.
Aquele momento em que ele levanta a cabeça e observa a celebração alheia é o ápice da crônica da vida: é o instante em que o "eu" precisa reconhecer o "outro". Ali, Messi não era o gênio, nem o capitão, nem o recordista. Ele era, acima de tudo, um ser humano exposto, despido de qualquer artifício, vivendo a dor do que não pode mais ser alcançado.
Há uma beleza trágica nessa cena. O futebol, que sempre foi para ele um território de domínio absoluto, tornou-se, naquele segundo, um lembrete de que até os maiores titãs estão sujeitos ao tempo. Esse mesmo tempo que a gente tenta dar tempo ao tempo. A tristeza dele é a nossa, quando percebemos que o nosso "jogo" também tem um apito final, e que a beleza não reside apenas na vitória, mas na coragem de ter estado lá, de ter tentado, de ter sentido a intensidade da disputa até a última gota.
Messi, no gramado, é a fênix* que, momentaneamente, se recolhe entre as cinzas. Ele nos ensina que a grandeza não está em vencer sempre, mas em ter a dignidade de suportar a derrota sem perder a essência. Ele nos olha de volta, através daquela tela, e nos convida a aceitar que, no grande cenário da vida, o sucesso e o caos são apenas duas faces da mesma moeda que, ao cair, nos define.
A vida é essa alternância entre o tempo de semear e o de colher. É como o pôr-do-sol que se repete, mas nunca é igual. Para uns, festa; para outros, decepção. É o mesmo movimento de quem, ao olhar para a escada de casa, evita o último degrau.** O degrau em que a queda foi suspensa, onde o silêncio mora e a memória nos transforma. Sobrevivemos, mas nunca descemos da mesma maneira.
Ao olhar para trás, através das lentes de meus olhos que um dia capturaram a transparência das águas*** de Goiás, onde se podia contar as pedras no fundo do rio e brincar com os peixes, sinto o peso da mudança. Onde antes havia clareza, hoje há uma névoa de incertezas. A natureza, como nós, atravessa seus períodos de exaustão. Fotografamos o que amamos para tentar retê-lo, para provar que aquele mundo, aquela transparência, existiu.
Somos como a fênix pintada na parede daquela casa solitária. Atravessamos cinzas, queimamos, mas não terminamos. Entre a indignação política de 2016 e o silêncio reflexivo de agora, aprendi que as palavras são nossas árvores mais enraizadas. Elas não caem com as ventanias. Elas sustentam a nossa história, mesmo quando o mundo parece girar em um caos que não compreendemos totalmente.
No final, o que nos resta é a crônica do cotidiano. É o caderno aberto, o café esquentado, a coragem de continuar a caminhar mesmo quando o coração ainda está dividido. Somos feitos de quedas suspensas e de vitórias que, às vezes, nos fazem chorar. E, enquanto houver uma página em branco, continuaremos a traduzir esse mistério, tentando, entre o sucesso e o caos, manter o tronco firme, sereno, pronto para o próximo voo.
—-
* Um caderno, uma casa, uma fênix:
https://www.luisanogueiraautora.com.br/2025/12/um-caderno-uma-casa-uma-fenix.html?m=1
** O último degrau:
https://www.luisanogueiraautora.com.br/2022/04/o-ultimo-degrau.html?m=1
*** Um mergulho nas águas da infância:
https://www.luisanogueiraautora.com.br/2023/09/um-mergulho-nas-aguas-da-infancia.html?m=1
—-
Post anterior: Infinito
https://www.luisanogueiraautora.com.br/2026/07/infinito.html?m=0
—-
Algumas vias deste blog:
Você gosta de andar e conhecer? Veja:
Via Vida: Sábado em uma BR do Planalto Central
Via Brasil: Brasília em Sete Cliques e a Rio + 20
Via Brasil: Brasília e a Ermida Dom Bosco
Via Mensagens: Nas Estradas da Vida
Via Brasil: Novos Ângulos da Ponte JK
Via Postais: Países e Paisagens
Via Natureza: Torres e Antenas
Via Brasil: Divagações de Viagens


Comentários