Pular para o conteúdo principal

Resedá, a renda nas calçadas de Goiânia

Crônica sobre o Resedá em Goiânia: suas flores delicadas, sua resistência à poluição e seu papel no paisagismo urbano.

Montagem com três imagens de resedás: flores rosa rendadas vistas de perto, um ramo florido sob a luz do sol e uma alameda de Goiânia com árvores de resedá colorindo a calçada.
Montagem com três imagens de resedás

Resedá, a renda nas calçadas de Goiânia

O Resedá colore Goiânia com flores que parecem rendas de seda. Delicadeza em plena cidade. E ainda: resistente à poluição.


A natureza sempre me surpreende. Passando perto de um parque em Goiânia, avistei uma alameda inteira pintada por tons de rosa-claro, branco e um outro rosa mais intenso (fúcsia?). 


Alameda urbana com resedás floridos em rosa intenso alinhados ao longo da calçada. Pedestres caminham sob a sombra das árvores, enquanto carros ocupam a via lateral.
Alameda urbana com resedás floridos alinhados ao longo da calçada

Árvores de pequeno porte, alinhadas como quem escolhe a delicadeza para anunciar a mudança das estações, chamavam a atenção de quem passava. 


Não resisti: parei, observei, fotografei. 


Close de um buquê natural de flores rosa de resedá em uma árvore iluminada pelo sol, destacando o formato rendado das pétalas.
Buquês de flores rosa intenso de resedá, em uma árvore iluminada pelo sol

Ramo de resedá rosa vibrante em uma calçada arborizada de Goiânia, com prédios ao fundo e céu azul. As flores lembram rendas finas sob a luz da manhã.
As flores lembram rendas finas sob a luz da manhã.

Vista ampla de uma fileira de resedás floridos ao longo de uma avenida de Goiânia, com pedestres caminhando e prédios compondo o cenário urbano.

Vista ampla de uma fileira de resedás floridos ao longo de uma avenida

A cidade escorre em ruídos e pressas, mas algumas flores sabem interromper até o relógio.


Pessoas caminhavam aproveitando o frescor da manhã. Duas moças, que também faziam fotos das arvorezinhas, pararam ao meu lado. Queriam saber o nome daquela planta de flores tão finas que mais pareciam rendas ao vento. 


Recolhi algumas pétalas caídas, pequenos buquês que o próprio chão oferecia, e levei para mostrar à minha filha, que me esperava alguns passos adiante.


Flores de resedá rosa e brancas de pétalas rendadas apoiadas na palma de uma mão, mostrando a delicadeza e leveza da textura.
Você já parou pra sentir a textura dessas flores?

Para minha surpresa, as duas moças vieram logo depois, sorrindo com a alegria de quem resolve um mistério botânico compartilhado.


— É Resedá! Disseram quase ao mesmo tempo, como quem entrega um segredo guardado nas bordas das flores.


Fiz então uma pesquisa rápida, e descobri que o Resedá (do gênero Lagerstroemia) é um pequeno milagre urbano. Resistente à poluição, de baixa manutenção, com raízes que não danificam calçadas e ainda capaz de absorver parte dos impactos urbanos, tornou-se queridinho do paisagismo brasileiro. Não apenas decora, ameniza. 


Um presente silencioso para quem caminha.


Ao observar de perto as flores, sobre minha mão, admirei outro detalhe. Percebi algo ainda mais bonito: cada buquê é feito de outros pequenos buquês, raminhos cheios de flores minúsculas, iguais às rendas feitas pelas mulheres rendeiras, com paciência e arte. 


Flores de resedá rosa, brancas e fúcsias de pétalas rendadas apoiadas na palma de uma mão, em close aproximado, mostrando a delicadeza e leveza da textura.
Resedá: a delicadeza de suas flores

As pétalas crespas também lembram flores de papel crepom, aquelas da infância, mas feitas em material mais nobre. Parece seda. Seda fina, franzida por mãos invisíveis que costuram delicadezas na pressa do mundo.


Alameda urbana com resedás floridos em rosa intenso alinhados ao longo da calçada. Pedestres caminham sob a sombra das árvores.
Alameda com resedás floridos

Você me pergunta qual é o parque?Ah… isso eu não vou contar 😊


Quero saber se você, que vive e caminha por Goiânia, reconhece o lugar pelas fotos e pela descrição: a pista, a sombra das árvores nativas, a sequência de Resedás colorindo o caminho, o contraste dos prédios ao fundo.


Alameda urbana com resedás floridos em rosa intenso alinhados ao longo da calçada. Pedestres caminham sob a sombra das árvores, enquanto carros ocupam a via lateral.

Alameda urbana com resedás floridos em rosa

Me diga: você já parou para sentir a textura macia dessas flores caídas?


Já percebeu o colorido que elas trazem a este pedaço da cidade nesta época do ano?


Algumas árvores não são apenas parte do cenário. São convites. 


Esse Resedá, ali no meio da cidade, é exatamente isso. É um convite à pausa, ao carinho com o olhar, à convivência entre cidade e natureza.


Um convite ao encontro com o que permanece vivo, apesar do concreto.


—-


Realmente o mundo mudou e continua avançando. Neste início de século, tão rápido em tecnologias quanto em destruição do meio ambiente. Fiquei boquiaberta ao ouvir um áudio gerado pelo Gemini NotebookLM sobre a crônica acima sobre as flores do resedá. Ouçam e me digam. Quero ouvir vocês. 


https://notebooklm.google.com/notebook/7708d9fd-05ae-4d80-b064-f0e6f4d2786b/artifact/d49a4404-01ab-4a04-a4cb-761149a21672?utm_source=nlmm_share



Leia também a crônica “COP30(Parte 2): O futuro começa com a verdade” 

——


#CaminhadaUrbana

#BelezaNaCidade

#Lagerstroemia

#CrônicasAmbientais 

#FloresDoCerrado

#CidadeVerde 

——-

Confira:

A NATUREZA EM FOTOS

 FLORES

PLANTAS DO CERRADO

LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

PLANTAS MEDICINAIS


——-


Leia o Manifesto Vozes da Terra à COP30 no dossiê Vozes da Terra👇🏼

🌿 Série Vozes da Terra – Blog Multivias | #COP30


Blog Multivias - Série Especial COP30:


1- O Último Pé de Pequi?

2- Macaúba, uma 🏝️ contra o aquecimento global

3- Quando o calor altera o futuro

4-O Balão Dirigível da Terra

5-Véspera da COP30: Um olhar do Cerrado

6-COP30: El Arcoíris de la Tierra

7-COP30: The Earth’s Rainbow

8-COP30: O Arco-íris da Terra

9-COP30: As mulheres e o trabalho invisível que sustenta o futuro

10-When Truth Comes from Nature

11-Cuando la Verdad Viene de la Naturaleza

12-Quando a Verdade Vem da Natureza

13-Mulheres, Biomas e o Tempo que Acabou de Acabar

14-COP30 en Belém: calor, bosques y la tierra que nos sostiene

15-COP30 (Parte 1): Calor, Florestas e a RAIZ do Problema

16-COP30 (Parte 2): O futuro começa com a verdade

17- Pós-COP30: Nascentes, a última voz das águas 


——


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog na última semana:

Via Verde: Pequena, Vermelha e Adocicada: Que fruta é essa?

Galhos com frutos maduros e amadurecendo. Há alguns anos compramos uma muda de uma planta que diziam ser jambo. A plantinha foi crescendo e cada vez ficando mais diferente de um jambeiro. Quando começou a frutificar vimos que era uma fruta que não conhecíamos. O pior é que ninguém da vizinhança conhecia. É pequena, tem mais ou menos um quarto do tamanho de um jambo, vermelha e adocicada, quando madura. Você sabe que frutinha é essa? Árvore com tronco e galhos finos. Formato das folhas e frutinhas amadurecendo. Que fruta é essa?  Retiramos a pele de uma delas para mostrar a polpa. A pele é bem fininha... Cada uma das frutinhas possui duas sementes, parecendo uma semente dividida. Duas frutinhas ao lado de um jambo. Essa  foto foi feita ontem, domingo, após a colheita. ----------------------------

Via Viajando nos Sabores: Entradas e Sobremesas com Abacate

Dependendo da região, a época do abacate, em nosso país, vai de fevereiro a junho ou julho. Mas ainda pode ser visto em alguns lugares. Se sua cidade é privilegiada, tendo abacateiros com frutos em pleno mês de agosto, aproveite esses últimos abacates do ano. A não ser que você tenha congelado sua polpa, como

Via Verde: As Três Cores do Flamboyant, a Musa das Árvores

Flamboyant vermelho - Apesar desse flamboyant ser uma árvore nova, sua copa dá uma grande e gostosa sombra.  Minha filha, durante uma caminhada, passando sob o flamboyant. Beleza da copa florida Folhas, botões e flores do flamboyant  Flamboyant enfeitando o jardim do Tribunal de Justiça, em Brasília.  Flamboyant, espelho d'água e fachada do TJ.  Flores e galhos retorcidos do flamboyant. Flores do flamboyant - Veja, logo abaixo, esta foto em uma tomada mais próxima. Sempre quis clicar as flores de um flamboyant bem de perto. Não são belas? Flamboyant alaranjado - Três ou quatro árvores dando as boas vindas na entrada de uma lanchonete, na rodovia que liga Goiânia a Brasília ( Lanchonete Jerivá ). Flamboyants do Jerivá Flamboyant amarelo - Este está em Brasília, logo depois da Ponte das Garças - conhecida como 'a ponte do (Conjunto Comercial) Gilberto Salomão', no sentid...

Via Músicas Que Ficam: Súplica, de Júnior Nardelli

Nascente A música Súplica , de Júnior Nardelli, nos fala sobre a importância da preservação da água. Transcrevemos abaixo a letra. SÚPLICA Junior Nardelli Sou eu que banho a esperança da semente virar fruto ou flor Sou eu o frescor da criança tão inocente com medo do calor Sou eu que me escondo no manto No ventre da terra e seco o sertão Sou eu que do céu tombo em canto Aliviando a pobre população Sou eu correndo na calçada Descendo a rua sem direção Sou eu frágil e abandonada Sempre jogada na escuridão Sou eu que desenho o arco-íris Quando me encontro com o sol de verão Mãe Iara, eu te suplico: minha mãe! Mãe Iara, não deixe que acabem comigo, minha mãe Mãe Iara, minha mãe é mesmo assim Que pena o homem não percebeu que não viverá sem mim. Para ouvir e/ou fazer o download da música, veja o site: http://www.uniagua.org.br/ -----------------------

Via Verde: Acerola

Acerola Imaginem uma frutífera de porte médio, com mais ou menos três metros de altura, toda verdinha. Como surgindo do nada começam a aparecer pequenos botões rosa que se abrem em flores. Flores lilases, com o centro amarelo. Em alguns dias você tem uma pequena árvore toda colorida. Estou falando de uma 'fábrica' de vitamina C chamada aceroleira. Logo as flores se transformam em mini frutos verdes. Aí você tem de um verde claro - dos frutos, até um verde médio escuro - das folhas, ou seja, tom sobre tom, todo pontilhado de rosa, lilás e amarelo. Os frutinhos crescem, passando do verde ao rosa e depois se pintam de vermelho. Quando maduros ficam com um chamativo vermelho vivo, dançando ao vento e se mostrando. E você, sorridente, começa a colhê-los e a saboreá-los. Que delícia! ------------- Acerola, aceroleira. É também chamada de cereja das Antilhas. Nativa da América Central, América do Sul e das ilhas do Caribe. Além de um grande teor em...

Via Verde: Festas Juninas com Flor-de-são-joão

Flor-de-são-joão É em junho que ela ama aparecer. Deve gostar do forró das festas juninas. Tanto fez que acabou ganhando este nome: Flor-de-são-joão. Olha só que linda ela é, toda espevitada e colorida, pronta para dançar e rodopiar nas festas de São João. ....   Flor-de-são-joão, cipó-de-são-joão ( Pyrostegia venusta ). Família das bignoniáceas. É originária da América do Sul, Brasil e Paraguai. É uma planta trepadeira que pode atingir até 10 metros. Boa para revestimento de cercas, gosta de 'subir' em árvores e é vista também em beiras de estradas e barrancos. Floresce no inverno. .... Boas Festas Juninas! ... ... ------------------------

A cidade dorme, a ambição descansa - 2 de 2

  Luzes apagadas de prédios a noite "Embalando o berço / É a mãe que canta" A cidade dorme, a ambição descansa  - 2 de 2 A cidade dorme, mas as mães não Hoje eu queria continuar falando sobre ambição * . Sobre como ela molda o mundo e destrói o que encontra. Mas, dessa vez, o pensamento veio acompanhado de outros versos: “A cidade dorme / a ambição descansa / embalando o berço / é a mãe que canta". Aí, já viu, ficou impossível ignorar o contraste. Porque, enquanto a cidade dorme, alguém continua acordada. E, desta vez, não falo da ambição, falo sobre as mulheres. Falo sobre as mães. Mães seguem despertas não por escolha, mas por necessidade. Porque alguém precisa cuidar de mais um serzinho chegando ao mundo. Porque alguém precisa garantir que a vida continue, mesmo quando tudo ao redor falha. E fazem isso em um mundo que desde sempre as    coloca em segundo plano. Mesmo com avanços, discursos e leis, a realidade permanece dura. O machismo não desapareceu, ele apenas ...

A cidade dorme, a ambição descansa (1 de 2)

  Noite, luzes dos prédios apagadas e a lua.  Na foto maior, linhas das luzes de  uma rua, em plena madrugada. A cidade dorme, a ambição descansa (1 de 2) A cidade dorme, mas a ganância não Hoje, às cinco da manhã, a cidade parecia em paz. Fotografei os prédios ao redor: janelas apagadas, nenhum sinal de movimento. Um silêncio quase confortável, como se tudo estivesse, finalmente, em repouso. Mas não estava. Trecho do texto de 2008 Essa cena me levou de volta a outra madrugada, em Brasília. Ruas vazias, iluminadas artificialmente, dando a impressão de vida que não existia naquele momento. E, como um eco distante, lembrei de um verso antigo: “A cidade dorme / a ambição descansa.” Queria acreditar nisso. Mas não consigo mais. A ambição não descansa, ela apenas se torna invisível. Enquanto dormimos, florestas continuam sendo derrubadas. Rios seguem recebendo o que não deveriam. O mar engole o excesso que produzimos sem medir as consequências. Nada disso pausa porque a cidad...

Via Verde: Sombrinha-chinesa

Sombrinha-chinesa O layout abaixo era de nosso Multivias do Go. Ele foi desenvolvido quando criamos o blog naquele site extinto. Queria algo que representasse caminhos, vários caminhos a andar. Olhando nosso arquivo de imagens, vimos fotos que havíamos tirado alguns dias antes. Era de uma palmeirinha chamada Sombrinha-chinesa. Cortamos e trabalhamos algumas dessas fotos, unificando e modificando a cor e o brilho. O resultado final foi esse: A foto original Outras fotos da palmeirinha: .... Sombrinha-chinesa, palmeira-umbela (Cyperus alternifolius). Família das ciperáceas. É originária da África, Madagascar. Possui folhas de um verde intenso, escuro e brilhante. Na primavera se enche de minúsculas flores, que saem de seu centro em longas hastes. ----------- ... Alguns caminhos nos levam para flores, outros para espinhos e muitos a lugares desconhecidos. Que seus novos caminhos, amigo/amiga, se abram para muitas flores! ... -------------------...

Via Verde: Dia dos Namorados com Amor-agarradinho

Amor-agarradinho - Flores Até o céu fica mais azul quando o amor é agarradinho... .......................................................... ..... Amor-agarradinho, mimo-do-céu, amor-entrelaçado, entrada-de-baile ( Antigonon leptopus) . Família das poliganáceas. Encontramos essa simpática plantinha em muros, fachadas e caramanchões. . ...... Feliz Dia dos Namorados! ..... -----------------------