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quinta-feira, dezembro 24, 2020

O Três e o Natal

 


Sempre tive uma certa queda pelo número três. Acho o máximo, o número dos números. Sabe o “um mais um igual a três”? Pois é assim que o vejo. Uma vez, quando minha irmã caçula ganhou seu primeiro filho, vi um macacãozinho pra recém-nascido todo branco com tulipas aplicadas formando a ‘soma’ 1+ 1 = 3, só que com tulipas no lugar de números. Não hesitei um segundo, comprei na hora, mesmo estando do outro lado do mundo e com o dim-dim regrado de estudante bolsista em país estrangeiro. Dinheiro contadinho, tendo que fazer ‘bico’ como bordadeira em boutique chique do 16ème arrondissiment de Paris. Sim, estudava lá, na Cidade Luz. Como sempre tive muita facilidade para artesanato, não foi difícil aprender o bordado daquela Maison. Bordava tão perfeito que um dos vestidos que bordei foi parar na Vogue francesa daquela época. Era o tal do ponto smoking, parecido com o casa-de-abelha usado por aqui, geralmente em vestidos de crianças. O nome da boutique era Bonbon - com n mesmo. Será que ainda existe? Ganhava meus extras pra viajar nos fins-de-semana pelo interior da França e pelos países vizinhos.

Voltando ao número 3... Três é perfeição, três é o encontro da mente, corpo e espírito - comunhão que nos eleva à condição de humanos? Três no cristianismo é a Santíssima Trindade. Três envolve o Filho nascido na manjedoura, celebrado, vejam só! através de uma festa pagã. Sim, o Natal é uma festa criada para comerciantes se deliciarem, como todas as outras - Dia das Mães, Dia dos Pais, dos Namorados e por aí vai. É o sorriso do comércio.

Três é Natal. Não o natal dos comerciantes, mas o Natal do Nascimento em fé, do Amor e da Paz.

Como para tudo existe uma compensação, vejo a comemoração do Natal como a época da confraternização, onde todos se reúnem; colegas de trabalho, vizinhos, amigos, familiares. É o escrito certo em linhas tortas. É a festa pagã dando lugar a algo bem maior, alcançando mente e espírito, unindo pessoas. É o espiritual alcançado por meio do físico. A verdade do Natal sendo levada ao coração de todos.

Um Feliz Três de Confraternização, de União e de Amor. 

Paz!

Imagem: Fiz a foto das flores em uma floricultura de Brasília. 

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Postei o texto “O Três e o Natal”em minhas redes sociais em dezembro de 2018.

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terça-feira, fevereiro 24, 2009

Via Postais: Recordações de um País Distante

Recordações de Um País Distante - I


Postal: Casa de Chá em Esfahan

Verso do postal

O postal endereçado à minha mãe e à minha irmã Betty: 
"Mamãe, Betty
Estamos por alguns dias em Esfarran, antiga capital do Irã. É uma das cidades mais bonitas que já vimos. Aqui podemos apreciar objetos feitos há mais de mil anos! Vimos até o Templo de Zoroastro, ampliado através dos séculos pelas dinastias posteriores. 
Este postal mostra uma Casa de Chá decorada segundo a moda tradicional do Irã."


  Eu em Esfahan - Irã, em uma Casa de Chá, nossos 'cafés' daqui. 
Estou segurando um caramelo para adoçar 
o delicioso chá preto com  jasmim.

Receita para uma bela crise do nervo ciático:

  • Sair do Rio em pleno verão - mais ou menos 40 graus – pousar em Paris, em um inverno de zero grau e ir mais além: Teerã, no meio da neve, numa temperatura que às vezes chega aos 10 graus negativos e a neve pode ultrapassar um metro de altura.
  • Ter hábitos ocidentais (sentar em poltronas, fazer as refeições em volta de uma mesa, em confortáveis cadeiras, dormir em camas...) e, de repente, acordar no oriente médio, onde as famílias tradicionais se sentam sobre tapetes - persas, claro! - mais ou menos na posição de yoga, deitam em macios e amplos 'colchonetes' feitos com flocos de pura lã e cobertos com delicados tecidos de algodão ou seda, mas... no chão, ou melhor, por cima dos famosos tapetes.
  •  Hábitos ocidentais x hábitos orientais, calor e frio.  Resultado: crise ciática, dessas de 'entrevar' qualquer bom ocidental.
Com uma simpática família iraniana, esquentando o frio com ach¹

Com um grupo de iranianos, brincando na neve, nos arredores de Teerã


Não, não foi agora. Foi nos meus tempos de estudante, ainda ‘jovenzinha’. Saí do Brasil em um mês quente, dezembro. Destino: França. Dezembro na Europa é um dos meses mais frios. E a ida para o Irã foi três invernos depois.
A Viagem
Conto uma parte dessa história: Tinha uma entrevista com um professor da Sorbonne para uma possível vaga em um curso de Linguística. Fui selecionada. Fiz Linguística Aplicada para o Ensino de Línguas Estrangeiras. Minha tese era relacionada à mídia. O ensino de uma segunda língua através de textos atuais, do dia a dia. Frequentei a Faculdade de Jornalismo para melhor elaborar meu raciocínio nesse sentido. Três anos depois e com 'meu diploma' nas mãos, resolvi, antes de voltar ao Brasil, conhecer uma parte de nosso planeta que sempre me atraiu: o oriente. 

O Irã possui uma das arquiteturas mais lindas
 e antigas do mundo


Em uma das duas torres que balançava quando se mexia
na outra, um segredo nunca desvendado
 

Havia um concurso para professor de Francês no Instituto Francês de Teerã. Em alguns países, principalmente da América do Sul, há a Aliança Francesa que, como o nome diz, é uma aliança entre um determinado país e a França, para o ensino da língua francesa. Já o Intituto Francês é ligado diretamente ao governo francês. Pelo menos era assim. Até o pagamento era em franco francês. Havia uma vaga e quatro candidatos: dois iranianos – uma moça e um rapaz - ambos com doutorado feito nos Estados Unidos, uma francesa casada com um iraniano (não me lembro qual era sua formação acadêmica) e esta brasileira aqui. Tínhamos que fazer um estágio no próprio Instituto e passar por provas práticas. Uma de regência de classe, em diferentes turmas de vários níveis e outra de ensino da língua francesa em laboratórios de línguas - no laboratório da escola. Recebi dois certificados e a vaga. Acho que ter sido aluna da professora Moirand² contou pontos. Sophie Moirand foi também a orientadora de meu trabalho de Dissertação de Mestrado. 

Pédagogie du discours rapporté,
 Credif, Didier, Paris, 1976.

Folha de rosto e um artigo de S. Moirand






Vocês devem estar perguntando: por que se recordar de um país tão lindo, com uma arquitetura digna dos contos das mil e uma noites, com uma história assim? Porque, depois de anos e anos com o 'ciático' em dia, tive estes dias uma crise terrível. Acho que para me lembrar daquela primeira. Com um agravante: trinta anos a mais 'nas costas'.
Saindo do ciático... Viajei pelo interior do Irã: Shiraz, Esfahan, Persépolis, Mar Cáspio ... Há construções milenares que deixam arquitetos e engenheiros europeus boquiabertos pelo esplendor, ousadia e mistério. Como duas Torres em Esfahan que, balançando-se uma, a outra também balança, apesar de, aparentemente, nada as ligarem. Ou a vela que permaneceu acesa por mais de mil anos, até que engenheiros ingleses, na tentativa de descobrirem seu segredo, a apagaram. Ou, ou... Ficaria aqui, páginas e páginas, recordando as belezas, as tradições e os encantos desse país milenar. Um país milenar, de um povo sofrido e lutador, que não deixa suas tradições e sua cultura serem levadas pelos ralos de países do novo mundo.
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¹Ach: prato típico iraniano à base de verduras.Muitas verduras misturadas com lentilhas, grão-de-bico ou trigo moído.
²Sophie Moirand , professora da Université de La Sorbonne Nouvelle – Paris III; autora de vários livros, entre eles:
- Enseigner a Communiquer en Langue Etrangère, Hachette, 1982.
- Parcours Linguistique de Discours Specialises: Colloque em Sorbonne les 23-24 Septembre 1992, P. Lang, 1994.

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terça-feira, maio 06, 2008

Via Postais: França


França - Da França tenho muitas e boas lembranças. Fiquei em Paris por três anos fazendo cursos de pós-graduação. Durante esse tempo viajei muito por suas regiões e nos países à sua volta. Tenho muito que contar de lá: pessoas, lugares, sabores... Mas, por enquanto vamos ficando com o 'deslumbramento' de uma viagem anterior, com a turma da Aliança Francesa. São as primeiras impressões escritas em um cartão postal enviado para minha mãe e minha irmã. Foi daquela primeira viagem (relatada em Viapostais 1). Era uma excursão da Aliança Francesa. Tínhamos passado uma semana em Marrocos e fomos passar o réveillon em Paris, onde ficamos por um mês, fazendo um curso de verão em língua francesa. Saímos do calor de dezembro do Brasil e aterrissamos em pleno inverno europeu. Que frio! Ainda deslumbrada com o que via, escrevi:
“Chegamos ontem às 13 h aqui em Paris. Somente hoje, depois do réveillon, é que pudemos descansar. O réveillon foi o máximo. Havia um restaurante reservado só para a nossa turma. Foi samba e carnaval depois da meia noite. Entre todos somos 90 pessoas de todos os estados do Brasil. (...) Hoje à tarde, eu e uma turminha, fomos andar ao redor do hotel para um reconhecimento, mas tivemos que voltar logo por causa do frio. A temperatura é de zero grau (...). É um hotel só para estudantes. Tem pessoas de todo o mundo...”

Ficamos por lá todo o mês de janeiro, com cursos de conversação pela manhã e passeios no início da tarde. Conhecemos o Louvre e muitos outros museus, assim como os principais pontos turísticos de Paris. Depois, já retornando ao Brasil, ainda passamos uma semana inteira em Londres. Excursões, turmas de jovens estudantes, momentos inesquecíveis, saudades...  



--------------------------------Postal do Foyer International D'Accueil de Paris, onde ficamos hospedados.
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