Pular para o conteúdo principal

Vozes da Terra - Especial COP30

Vozes da Terra

Manifesto e crônicas ambientais para a COP30

Por uma cultura de convivência com o planeta

Blog Multivias


🌍 Leia em:



Introdução ao Dossiê “Vozes da Terra”

“Vozes da Terra”: Manifesto e crônicas ambientais para a COP30. Histórias do Cerrado, a Amazônia e cidades brasileiras que conectam literatura, memória e emergência climática. Um chamado à ação pela natureza.



Em 2025, o Brasil sedia a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30. Realizada na Amazônia, esta edição representa um marco simbólico e prático: pela primeira vez, a floresta que sustenta o equilíbrio do planeta se torna o centro do debate global sobre o clima.

Mas a discussão sobre o futuro não começa nas cúpulas internacionais. Começa nos quintais, nas ruas, nos biomas que moldam o país e sustentam sua identidade. Foi com essa convicção que o Blog Multivias reuniu, neste dossiê,o manifesto e as crônicas que compõem o projeto Vozes da Terra.

As vozes aqui reunidas falam da urgência e também da esperança. Elas nascem do Cerrado, berço das águas e da biodiversidade brasileira, e se expandem para a Amazônia, para as cidades e para o mundo. Em comum, trazem uma mensagem simples e profunda: não há futuro sustentável sem memória, sem equilíbrio e sem escuta.

Os textos combinam narrativa literária, dados ambientais e observação cotidiana. São retratos de um país que ainda resiste: nas árvores, nas pessoas e nas ideias. E, ao mesmo tempo, são alertas de que o tempo de esperar passou.

O Manifesto Vozes da Terra abre este dossiê como um chamado à ação e à consciência. As quatro crônicas seguintes, sobre o pequi, a macaúba, o calor e o concreto, formam um mosaico de temas que se entrelaçam: o avanço urbano, a perda dos biomas, a crise climática e a necessidade de um novo pacto entre o humano e a natureza.

Mais do que um documento literário, este dossiê é uma contribuição à COP30.
Um lembrete de que as soluções para a crise climática não virão apenas de acordos, mas das histórias que contamos, das escolhas que fazemos e das raízes que decidimos preservar.

Porque ainda há tempo, se agirmos agora.


Manifesto Vozes da Terra


Em 2025, o Brasil recebe a COP30 na Amazônia. O planeta chega a este encontro com recordes históricos de calor, secas extremas e desmatamento. Não é mais tempo de promessas. É tempo de ação concreta.

O Blog Multivias, que há anos retrata em suas crônicas a relação entre o ser humano e a natureza, lança o manifesto Vozes da Terra para chamar atenção a um ponto essencial: a preservação ambiental começa no cotidiano. Nas escolhas, nas cidades, nos quintais e nos biomas que formam o Brasil.

O Cerrado, o segundo maior bioma do país, é berço das águas e abrigo de espécies únicas. Mas está desaparecendo diante do avanço urbano e do desmatamento. De acordo com o MapBiomas, entre 1985 e 2023 o Cerrado perdeu mais de 40 milhões de hectares de vegetação nativa. Cada árvore nativa perdida, um pequizeiro, uma macaúba, uma quaresmeira, representa a quebra de um equilíbrio que impacta diretamente o clima global.

A crise climática se manifesta nas secas, nas enchentes, na perda de biodiversidade e no aquecimento dos oceanos. O calor já altera ecossistemas inteiros, enquanto o concreto avança sobre a terra fértil. O modo como construímos, produzimos e consumimos precisa mudar. E mudar agora.

Por isso, este manifesto apresenta cinco compromissos urgentes:

1. Valorizar e proteger os biomas brasileiros, especialmente o Cerrado e a Amazônia, como pilares da vida e da regulação climática.
2. Inserir a educação ambiental no centro das políticas públicas e comunitárias.
3. Promover o plantio de espécies nativas e a recuperação de áreas degradadas.
4. Incentivar práticas urbanas sustentáveis, do planejamento das cidades ao uso racional da água e da energia.
5. Garantir que a COP30 seja um espaço de escuta e visibilidade para vozes locais - comunidades, escritores, artistas e defensores da natureza.

O futuro não será decidido apenas nas conferências internacionais, mas nas ações cotidianas de cada pessoa. O Blog Multivias acredita que contar histórias sobre a terra é também uma forma de preservá-la.

Que este manifesto ecoe entre os participantes da COP30 e inspire uma nova cultura de convivência com o planeta.

Porque ainda há tempo. Ainda há tempo, se agirmos agora.

Blog Multivias
Outubro / novembro 2025


Não é mais tempo de promessas: é de ação concreta. Da escola ao quintal, do Cerrado à Amazônia, que a COP30 escute as vozes locais e assuma compromissos verificáveis, já.


#VozesDaTerra 

#COP30 

#CerradoVivo 

#AmazôniaÉAgora 

#CidadesParaClima


Nota: “Vozes da Terra” é expressão de uso genérico, aqui empregada para identificar a série ambiental independente do Blog Multivias - Especial COP30.

Brasília - DF, outubro de 2025



Crônicas do Blog Multivias 


Pequi e Cerrado. É urgência de preservar.
Pequizeiro 

O Último Pé de Pequi?

Uma crônica sobre memória, Cerrado e resistência


O pequi, símbolo da resistência, revela o impacto humano e a urgência por preservação.


Em 1996, conheci um pedaço do Cerrado que teimava em ser paraíso. Nos arredores de Brasília, um condomínio nascia com ruas largas e uma promessa de harmonia: a infraestrutura humana curvava-se à lógica das nascentes e da vegetação nativa. Os lotes, ainda sem cercas, respiravam fundo. Ipês de todas as cores, caju-do-cerrado, barbatimão, lobeira, macaúba, quaresmeira e pequi. Muito pequi. Os primeiros moradores eram guardiões daquele mundo. Plantavam frutíferas, mas sabiam que a verdadeira riqueza já estava lá...

As casas cresceram, as cercas surgiram e a memória verde foi sendo apagada. Os novos moradores chegaram com outro desejo – não o de preservar, mas o de impor. Para muitos, o Cerrado ainda é “mato”. E o mato deve cair para dar lugar a jardins de revista, com espécies exóticas que não abrigam um único pássaro nativo.

Pouco a pouco, os pequizeiros foram desaparecendo.

Alguns anos depois, percorri boa parte do condomínio em busca de sobreviventes. Andei sob o sol que já não era filtrado pelas copas familiares. E então vi um pé de pequi, encurralado entre uma cerca e a calçada de uma casa. Será um dos últimos daquele lugar antes chamado de paraíso? Como um velho combatente, ele resistia.

Essa imagem me persegue. E pergunto: você se lembra de como era a sua rua, o seu bairro, há dez ou quinze anos? Lembra das árvores que sumiram? O que estamos fazendo pelas que restam?

Essas perguntas ganham peso quando lembramos que o Cerrado, segundo o MapBiomas, perdeu 6,4 milhões de hectares de vegetação nativa na última década.

Chamado de Coração das Águas, o Cerrado abastece 8 das 12 bacias hidrográficas brasileiras. Sua vegetação funciona como um filtro vivo: permite que a água da chuva infiltre no solo, recarregando aquíferos e alimentando nascentes que dão origem a rios essenciais para o país.

Quando um pequizeiro cai, não é só uma árvore que desaparece, é uma nascente, um ciclo de vida, um pedaço da identidade brasileira.


É urgente reconectar as cidades à sua paisagem original. Plantar uma muda nativa não é gesto simbólico, é ato político, de resistência e cuidado.

Como construir sem destruir? Como manter as árvores nativas nas nossas ruas e quintais? Mais do que respostas, precisamos de ação. Antes que o último pequi caia e, com ele, nossa memória, nosso sabor, nosso Cerrado.

Nota 2025: O Cerrado, tema central da COP30, representa hoje 44% das emissões brasileiras causadas pelo desmatamento. Que este bioma, invisível aos olhos da pressa, seja visto e defendido como o coração climático do país.


A macaúba, palmeira nativa do Cerrado, é resistência, sombra e alimento.
Palmeira Macaúba. Ela tem espinhos, mas também soluções.


Macaúba, uma palmeira contra o aquecimento global

Uma crônica sobre resiliência e bioeconomia do Cerrado

A macaúba, palmeira nativa do Cerrado, é resistência, sombra, alimento e resposta à crise climática.


Sua beleza é áspera, espinhosa. Seus nomes são tantos quantos os seus usos: macaúba, bocaiúva, coco-de-espinho. A  Acrocomia aculeata é uma guardiã silenciosa do Cerrado. Uma palmeira nativa que não se importa de ser chamada de “ciclete-de-boi” pelas crianças que mastigam sua polpa pegajosa.

Mas sua verdadeira grandeza está no que não se vê: as raízes tecem uma rede subterrânea que segura a terra e combate a erosão. Ela é o exemplo perfeito de como a natureza opera, sendo utilidade e beleza, sustento e sustentação.

A mesma lógica que deveria protegê-la é a que a ameaça. Em lotes do Centro-Oeste, a macaúba resiste até o dia em que o “progresso” chega com suas escavadeiras. Em condomínios de Brasília, administradores, em um ato de cegueira estética, já tentaram substituí-la pela palmeira imperial, mais “nobre”, dizem. E de origem estrangeira. É a tragédia brasileira resumida: trocar o que é próprio, adaptado e eficiente por algo que se imagina ser superior.

Cada macaúba arrancada é mais do que uma perda botânica. É um passo em direção ao desequilíbrio. Estudos do Instituto de Pesquisas Ambientais do Brasil (IPAB) e da Embrapa mostram que o Cerrado já perdeu mais de 50% da vegetação original, e que as palmeiras nativas, como a macaúba, desempenham papel essencial na fixação de carbono e regeneração do solo. O desmatamento, do qual ela é vítima, não é um problema local, é um dos motores do aquecimento global.

A macaúba é também promessa de futuro. Seu óleo pode ser usado na produção de biocombustíveis sustentáveis, e o reaproveitamento de seus frutos e cascas gera renda para comunidades extrativistas. Na Amazônia e no Cerrado, projetos de bioeconomia começam a incluir a Acrocomia aculeata como alternativa ecológica ao óleo de palma. Mas ainda falta o principal: o reconhecimento de seu valor simbólico e climático.

O exemplo da macaúba ensina que a luta climática se dá no chão. Na escolha de qual árvore plantar em um canteiro, na resistência a um desmatamento ilegal, na valorização do que é nosso, nativo e resiliente.

Preservar a macaúba não é só salvar uma árvore. É garantir um futuro mais equilibrado para o planeta. A solução para o aquecimento global pode começar no nosso bairro, no nosso quintal, no modo como olhamos para a terra sob os nossos pés.

Nota 2025: Na COP30, a Acrocomia aculeata volta ao centro das discussões sobre bioeconomia e transição energética justa. Que o Brasil saiba olhar para suas espécies nativas não apenas como recurso, mas como resposta. Resposta viva, verde e enraizada à crise climática.


A tartaruga-verde e o aquecimento global
Tartaruga-verde - Foto do site nationalgeographicbrasil*

Quando o calor altera o futuro

Uma crônica sobre o desequilíbrio e o tempo que já mudou


O calor já decide o sexo das espécies. O gelo queima. O planeta respira ofegante.


Há um silêncio que vem antes da extinção. E ele não vem de onde a gente imagina. Um exemplo são as praias superaquecidas da Austrália, onde a areia, cada vez mais quente, decide o futuro de uma espécie. Para a tartaruga-verde, o sexo não é uma loteria genética: é um termômetro. Quando a temperatura da areia passa dos 29 °C, nascem mais fêmeas; acima dos 31 °C, quase todas. Estudos da NOAA e da Universidade James Cook mostram que, em algumas regiões da Grande Barreira de Corais, 99% dos filhotes são fêmeas. É o aquecimento global alterando silenciosamente a continuidade da vida.

E se o calor esteriliza praias, no Ártico ele liberta demônios antigos. O gelo, aquele arquivo geológico do planeta, derrete e libera metano, um gás até 84 vezes mais potente que o CO₂ no curto prazo. As imagens de chamas azuis queimando sobre o gelo são reais. São o retrato do nosso paradoxo: o fogo que nos deu civilização agora ameaça o equilíbrio que nos sustenta.

Queimadas, secas, enchentes são apenas os sintomas mais visíveis. A febre do planeta afeta tudo: o curso dos rios, a resistência dos vírus, a produção agrícola, a estabilidade econômica e emocional das populações. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a média global já subiu 1,3 °C em relação à era pré-industrial, e cada décimo de grau a mais amplifica o risco de eventos extremos e de colapso ecológico.

A mudança climática já não é um alerta. É um registro. Estamos vivendo a história de um mundo que tenta respirar em meio ao calor. E a pergunta que fica não é científica, é moral: o que faremos, nós que lemos esta crônica em uma tela que consome energia, sabendo que somos parte desse fogo?

Nota 2025: A COP30, realizada na Amazônia, busca reforçar o compromisso global de limitar o aquecimento a 1,5 °C. Mas a ciência é clara: o limite está à vista e o tempo é curto. Que esta conferência transforme promessas em ação, antes que a areia das praias e o gelo do norte contem o resto da história por nós.

——

Nota: O blog Multivias, em 2021 e 2022, fez uma série de posts sobre mudanças climáticas. Confira:


vista aérea de Goiânia. Contraste entre áreas verdes e zonas densamente construídas.
O peso do concreto e a urgência de uma arquitetura que concilie o ser humano com o chão.

O Balão Dirigível da Terra


Uma metáfora que escrevi em 2022 é, hoje, ainda mais urgente.


Entre o concreto e o calor, o planeta pede leveza. Goiânia é o ponto de partida desta reflexão sobre como habitamos o mundo.


Minha Goiânia ficou para trás. Não a reconheço mais. Uma muralha de concreto a encobre. Saí há quarenta anos e levo comigo a memória de uma cidade de casas, de terra, de raízes. O que vejo agora é uma cidade que quis alcançar o céu, mas que, no processo, se perdeu de si mesma.


A verticalização acelerada é um fenômeno global e em Goiânia, transformou o horizonte. O concreto substituiu o cerrado, o calor se multiplicou, e o solo impermeabilizado tornou-se símbolo de uma urbanização que ignora a natureza. Cada prédio ergue-se como um monumento à pressa e ao esquecimento.

Não é apenas nostalgia. É constatação. Pesquisas da UFG e do INPE mostram que a temperatura média de Goiânia aumentou 2,3 °C nas últimas quatro décadas, enquanto o número de árvores urbanas diminuiu cerca de 40%. As chamadas ilhas de calor ampliam o desconforto térmico, elevam o consumo de energia e agravam a poluição atmosférica. A cidade que nasceu planejada e verde tornou-se exemplo do que acontece quando o planejamento cede espaço ao mercado.

A crença de que a vida melhora quanto mais alto moramos revela uma lógica insustentável. O ar-condicionado, que tenta corrigir o calor que nós mesmos produzimos, consome energia e intensifica as emissões de gases de efeito estufa. O ciclo é perverso: quanto mais concreto, mais calor; quanto mais calor, mais energia; quanto mais energia, mais carbono.

Onde estão os ventos que refrescavam as varandas? O sol que iluminava naturalmente as casas? A água da chuva, antes coletada e devolvida à terra? Substituímos isso por fachadas de vidro que refletem o calor e sistemas caros que tentam imitar o equilíbrio que abandonamos. 

Como escrevi em abril de 2022, em meu blog Multivias, a Terra se parece com um balão dirigível:

“Acreditamos que podemos enchê-la de tudo: cacarecos, cimento, máquinas, urgências. Mexemos em sua estrutura, trocamos peças originais por engenharias ‘modernas”, alteramos o gás que sustenta o voo… Até que um dia o peso vence o ar.” (Multivias, “Goiânia, além dos aparta-mentes”, 04/2022)

Hoje essa imagem retorna com ainda mais força. 

A Terra segue carregando nossos edifícios, nossos carros, nossos ruídos e nossa pressa. Empilhamos ‘progresso’ como quem guarda tralhas em uma casa antiga, certos de que sempre caberá mais um pouco, que haverá espaço, que nada irá ceder. Mas todo balão tem limite. O ar tem limite. A confiança também.

Há um ponto em que o peso supera a leveza, e o ar rarefeito deixa de sustentar o voo. 

Estamos próximos desse ponto. Ainda é tempo de aliviar a carga, recolher o essencial, olhar para o que sustenta e não apenas para o que eleva. 

Ainda é tempo de notar que a Terra não precisa apenas subir. Ela precisa continuar respirando.

E nós com ela.

Ainda assim, há caminhos. Arquitetos e engenheiros brasileiros vêm desenvolvendo projetos que unem técnica e bioclimatismo: construções com ventilação cruzada, telhados verdes, captação de águas pluviais, fachadas vivas, pavimentos permeáveis. A sabedoria ancestral dos povos originários e quilombolas mostra que é possível morar com a natureza. E não contra ela.

Goiânia, e tantas outras cidades médias brasileiras, podem se tornar laboratórios de um novo modelo urbano: mais humano, mais leve, mais verde. O desafio é não deixar o balão estourar antes de aprendermos a pousar com cuidado.

Nota 2025: Na COP30, o tema das cidades sustentáveis está entre os eixos principais. O modo como construímos e ocupamos o espaço urbano será decisivo para a neutralidade de carbono até 2050. Que Goiânia e todas as cidades do Cerrado sejam exemplos de reconciliação entre arquitetura e planeta.


Referências:


Crônica 1 – “O Último Pé de Pequi?”

  • Na última década (2015-2024), o Cerrado perdeu 6,4 milhões de hectares de vegetação nativa” MapBiomas Brasil

Crônica 2 – “Macaúba, uma palmeira contra o aquecimento global”

Crônica 3 – “Quando o calor altera o futuro”

Crônica 4 – “O Balão Dirigível da Terra”


🌍 Do Cerrado para a COP30:

A maior nascente do país é silenciosa.

Mas sua mensagem é urgente:

sem Cerrado, não há água.

#SOSCerrado #CoraçãoDasÁguas

#BiomasDoBrasil 

O Cerrado: Maranhão, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Tocantins são os estados que compõem o bioma Cerrado. Ele também ocupa áreas pequenas de outros seis estados.



Série Vozes da Terra, Blog Multivias, Brasília- DF, Especial COP30, 2025.

 

#AçãoPeloClima 

#Reflorestar

#Bioeconomia

#AquecimentoGlobal

#MudançaClimática

#AçãoClimática

#CidadesSustentáveis

#UrbanismoVerde

#JornalismoAmbiental

Blog Multivias Escrevendo Vozes da Terra


Veja mais fotos das quatro crônicas do dossiê Vozes da Terra - Especial COP30, no Blog Multivias

“Vozes da Terra” é expressão de uso genérico, aqui empregada para identificar a série ambiental independente do Blog Multivias -  Especial COP30.

—- 

Criado em 2008, o Blog Multivias nasceu do olhar atento para a natureza. Entre fotografia e escrita, este espaço reúne crônicas, memórias e reflexões sobre cuidado, tempo e meio ambiente.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog nos últimos 30 dias

Via Verde: Pequena, Vermelha e Adocicada: Que fruta é essa?

Galhos com frutos maduros e amadurecendo. Há alguns anos compramos uma muda de uma planta que diziam ser jambo. A plantinha foi crescendo e cada vez ficando mais diferente de um jambeiro. Quando começou a frutificar vimos que era uma fruta que não conhecíamos. O pior é que ninguém da vizinhança conhecia. É pequena, tem mais ou menos um quarto do tamanho de um jambo, vermelha e adocicada, quando madura. Você sabe que frutinha é essa? Árvore com tronco e galhos finos. Formato das folhas e frutinhas amadurecendo. Que fruta é essa?  Retiramos a pele de uma delas para mostrar a polpa. A pele é bem fininha... Cada uma das frutinhas possui duas sementes, parecendo uma semente dividida. Duas frutinhas ao lado de um jambo. Essa  foto foi feita ontem, domingo, após a colheita. ----------------------------

Via Verde: As Três Cores do Flamboyant, a Musa das Árvores

Flamboyant vermelho - Apesar desse flamboyant ser uma árvore nova, sua copa dá uma grande e gostosa sombra.  Minha filha, durante uma caminhada, passando sob o flamboyant. Beleza da copa florida Folhas, botões e flores do flamboyant  Flamboyant enfeitando o jardim do Tribunal de Justiça, em Brasília.  Flamboyant, espelho d'água e fachada do TJ.  Flores e galhos retorcidos do flamboyant. Flores do flamboyant - Veja, logo abaixo, esta foto em uma tomada mais próxima. Sempre quis clicar as flores de um flamboyant bem de perto. Não são belas? Flamboyant alaranjado - Três ou quatro árvores dando as boas vindas na entrada de uma lanchonete, na rodovia que liga Goiânia a Brasília ( Lanchonete Jerivá ). Flamboyants do Jerivá Flamboyant amarelo - Este está em Brasília, logo depois da Ponte das Garças - conhecida como 'a ponte do (Conjunto Comercial) Gilberto Salomão', no sentid...

Via Verde: Jurubeba, a Delícia Amarga do Cerrado

Jurubebas colhidas, em ramos saindo de um galho e folhas. Jurubeba: Folhas e frutos. Jurubeba: Galhos espinhosos. Jurubeba, jurupeba, gerobeba, joá-manso e outros nomes populares. ( Solanum paniculatum L .). Família das solanáceas. Que me lembre, comi jurubeba uma única vez, na chácara de uma amiga, perto de Hidrolândia, interior de

Via Natureza: Série Cerrado - VI: Árvores Tortuosas do Cerrado

Árvores tortuosas do Cerrado Vejam a beleza dessas árvores. São árvores resistentes, já passaram por inúmeras queimadas, muitas carregam ainda esse horror em seus troncos. Mas, renascem das cinzas e brotam. Ou, quando o fogo não consegue matá-las por inteiro, seguem em frente, tentando se recompor, brotando novos galhos, novas flores e sempre novas sementes. É a esperança, em cada ano, de não desaparecerem, de darem continuidade à sua espécie. Até quando resistirão? Árvores tortuosas, flores e frutos exóticos, assim é a beleza do Cerrado. O Cerrado é um dos biomas mais secos do Brasil. A estação seca pode durar até 5 meses. Neste período o índice de umidade relativa do ar chega, muitas vezes, no meio da tarde, a índices inferiores a 15%. Por isto tantas queimadas acontecem entre maio e setembro, período de estiagem. Um toco de cigarro ou algumas brasas que ficaram de um pique-nique pode ser o começo de um fogaréu. Há também os casos em que o fogo...

Via Verde: Limão Imperial

Como aquela frutinha chamada Noni* que encontramos em Goiânia, o limão imperial , para mim, também é uma novidade. Vi essa muda das fotos em um viveiro de Brasília. Só souberam me informar sobre seu nome. Nada encontrei também nas pesquisas que fiz via Google. O fruto parece uma pequena laranja, porém rajado, como suas folhas. Havia algumas pequenas flores, mas elas não estão bem visíveis nessas imagens. As fotos foram feitas em um horário inapropriado para fotografia. Infelizmente não pude retornar em uma hora melhor para tentar mais alguns cliques. Alguém conhece? Família  Citrus sinensis ? Limão imperial? Limão imperial -------------- *Noni - Veja a post Noni neste mesmo blog. --------------- Obrigada, amigos. De acordo com a estatística do Blogger estamos com mais de 400 mil visualizações de páginas. Neste exato momento (18:38 h) está marcando 401.156 visualizações. Estamos felizes! Queremos dividir essa alegria com todos vocês que por aqui passam....

Via Verde: Bromélias: Inocentes ou Culpadas? - V: A Pesquisa Coletiva e sua Conclusão

Com o título Bromélias: Inocentes ou Culpadas? vimos e discutimos opiniões diversas, vindas de diferentes regiões do Brasil. Nossa roda de amigos, através de comentários e envio de fotos e textos, participou de uma pesquisa-debate envolvendo uma das mais belas flores brasileiras. Ganhamos todos nós! Ficamos com um maior conhecimento sobre essa planta da família  bromeliaceae; tivemos mais informações sobre a rica diversidade do meio ambiente em que vivemos e ganhamos também conhecendo um pouco mais sobre a vida que entrelaça fauna e flora, tão sabiamente criada e desenvolvida em nossas matas e florestas. 1- Nossas belas são inocentes ou culpadas? Antes de qualquer conclusão, vamos ver um pouco mais sobre as bromélias. Sugerimos também a leitura de alguns artigos sobre o mosquito Aedes Aegypti, transmisssor (vetor) da dengue.Vamos lá? 1.1- Bromélia, gravatá, carandá, caravatá, caraguatá, caraguá, carauatá, carauá e croata, são o...

Melão-de-são-caetano

  Melão-de-são-caetano ou melãozinho. Você conhece? É comestível ou medicinal? Se você tem alguma informação, deixe aqui, nos comentários. Sei que é uma trepadeira e seus melõezinhos são uma graça. As sementes são pegajosas,  envoltas em uma polpa que, de certa forma, ficam fixas no lugar onde caem. Deve ser um meio de proteção. Veja através das fotos que fiz hoje. Há alguns anos ganhei uma muda que cresceu, mas desapareceu logo depois. O ano passado vi outra planta que crescia mais ou menos no mesmo lugar da mudinha anterior. Pelas folhas percebi que devia ser o melãozinho. Ela apareceu rente a um muro. Como é trepadeira, foi avançando com suas folhas miúdas e hoje encontrei seus frutos já maduros.  Folhas do melão-de-são-caetano  Melãozinho ainda verde Este amadureceu e abriu (explodiu, como fazem algumas plantas para espalharem as sementes?) Duas sementes ficaram coladas no muro.    Este está tão maduro que sua pele (crosta?) começa a abrir Sementes do m...

Via Verde: Ameixa Brasileira

Flores da Ameixeira "Oh! que saudades que tenho", dos bons tempos de estudante na França, no doce sabor da reine-claude. Assim não dá. Parodiar Casimiro de Abreu¹, com saudades da França? Se ao menos estivesse me referindo à Canção do Exílio. Explico: Por todo o mundo há mais ou menos 150 espécies de ameixa.² Não tenho os dados precisos, mas é por aí. Na Europa existe uma grande quantidade delas, variando em cor e sabor, dependendo da região. Uma das mais conhecidas e saborosas é a reine-claude . Sabe aquela fruta que você come uma, duas... e sempre pede bis? Tipo fruta-do-conde, manga-coquinho, morango, amora - estou citando as que amo, claro. Em Paris pode-se encontrar a reine-claude em quase todos os lugares, dos supermercados às feiras livres. Foi em uma dessas feiras que a conheci. Compramos muitas. Quando a experimentei... Ah! Como é de-li-ci-o-sa! Comecei a degustá-las e só parei porque me contaram uma 'historinha': a de um brasileiro que, a...

Via Verde: Boas Festas com Carambolas e Romãs

Sorte de quem tem por perto pés de carambolas e de romãs. É nesta época de festas de fim de ano, em pleno verão brasileiro, que eles florescem e frutificam. Enfeitados e coloridos com suas flores e frutos, festejam o Natal e o Ano Novo. Romãzeira - Suas folhas e flores por si só já fazem a festa: vão do verde claro ao verde escuro, passando por tons mesclados de rosa, amarelo e laranja. No meio das flores aparecem pequenas bolas verdes, com cabinhos pendurados. Verdadeiros sinos de Natal! A romãzeira compartilha conosco sua beleza e seus frutos não apenas no Natal. Seus grãos, brilhantes como jóias preciosas, estão presentes na ceia de réveillon. Sim, eles nos remetem a alegres brincadeiras - por muitos levadas a sério: São guardados em carteiras, deixados sob os pratos e por aí vai ... E, dizem, é um sinal de boa sorte para o ano que começa. Caramboleira - Quer um Natal bem brasileiro? Use a imaginação, enfeitando su...

Via Verde: Folhas Milagrosas ou Folhas Mágicas, Chapéu-de-sol ou Figueira-da-índia

 Folhas da figueira, conhecidas como folhas milagrosas ou  folhas mágicas. Folhas e frutos da árvore figueira. Copa de uma fiqueira, conhecida também como chapéu-de-sol ou chapéu-de-praia . Figueiras dando sombra aos carros, em Brasília, no estacionamento do Hospital Brasília . Figueira , terminália, amendoeira, amendoeira-tropical; em Santos (SP), é conhecida como cuca. Já em Angola seu nome é figueira-da-índia*. ( Terminalia catappa é seu nome científico). Família das combretáceas. Por sua imensa copa é também chamada de chapéu-de-sol, chapéu-de-praia, guarda-sol ou guarda-chuva, sendo por isto usada em estacionamentos ou grandes áreas. As árvores das fotos estão no estacionamento que fica em frente ao Hospital Brasília. Seus frutos, parecidos com figos - daí o nome 'figueira', são comestíveis. Quem os ama são os morcegos. Medicinal, tem um largo uso, por isto chamada de árvore das folhas milagrosas ou folhas mági...