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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas de Luísa Nogueira

Entre mangueiras e lembranças

Uma crônica delicada e poética sobre reencontros com o passado. Caminhos da infância, árvores queridas, casas cheias de memória e o aconchego de um tempo que permanece dentro de nós. “Hoje me visitei — e fui casa, mangueira, jardim. Fui saudade em cada passo." Entre mangueiras e lembranças Revisito a rua da minha infância, as mangueiras do quintal, o colégio, o alpendre... Hoje me visitei. Vi a rua onde eu, criança, morei. Tudo igual, ao mesmo tempo que tudo mudado. Andei pela grande avenida até encontrar a praça - aquela praça. A praça aonde eu ia com meu pai, eu bem pequena, ele todo orgulhoso da filhinha quase neta. Ele me olhava com ternura, me mostrava aos amigos dizendo: "minha princesinha". Talvez por não ter acompanhado de perto o crescimento dos filhos de seu casamento anterior, quisesse compensar redobrando carinho e atenção aos filhos da idade madura? Não sei. A existência humana é um enigma. Nem sempre agimos como pensamos ser, como queremos ou sonhamos ser....

O tempo dos ipês

Fotos feitas nos meses secos de Brasília, entre 2013 e 2019.  Durante a seca do cerrado, os ipês em Brasília transformam a paisagem urbana Brasília e seus ipês.  Eles chegam como poesia em tempos de seca, quando a cidade parece cansada de céu azul e solo ressecado. O ar fica parado, a umidade quase evapora, mas os ipês florescem — e com eles, algo dentro da gente também se acende. O brasiliense, acostumado a ver a vida passar entre quadras e eixos, esquece por instantes o nariz sangrando por causa do frio seco. Olha para cima. Admira os buquês que brotam como festa no alto das árvores. Primeiro o roxo. Depois o rosa. Logo vem o amarelo, sempre esperado. E, por fim, o branco — aquele branco tão branco que parece neve sonhada no cerrado. É curioso como eles não florescem ao mesmo tempo. São como companhias teatrais, cada qual com seu tempo de cena. Um ipê se despede na W3 Sul, outro desperta timidamente em frente à Biblioteca Central da UnB. Um floresce perto do Hospital de Bas...

Do Sonho à Ação

Post de janeiro de 2020 Do Sonho à Ação* Dormimos de ontem para hoje? Eu, pelo menos, não. Deitei por volta das duas da manhã e permaneci quase imóvel, fazendo uma referência ao nosso rei Roberto Carlos. Depois de mais de oito horas, acordei em um cenário surpreendente: de biquíni, tomando água de coco em uma praia maravilhosa. Seria Santos? Guarujá? A areia branca e limpa não apresentava nenhum sinal de poluição. Éramos um pequeno grupo de estudantes. Após alguns mergulhos naquela água cristalina, voei e aterrissei em outra praia. Era Ipanema, aquela do "Garota de Ipanema". Agora, não estava sozinha; de mãos dadas com um namorado, mergulhávamos sob os olhares sorridentes de pessoas bronzeadas, vivendo sob o sol. Mas e esses mergulhos? Eram voos? Nossa mente parece retirar-se, evitando perturbações. Assim, nadei em outra praia, no Farol da Barra, Salvador. Também limpinha, sem vestígios de óleo nem de qualquer poluição. Todos pareciam de planetas redondos e civilizados. Parec...

Via Vida: Desfazendo Nossas Árvores para o Início de Mais Um Ano

Início de dezembro. As festas de fim de ano se aproximam. Fazemos listas de compras, de presentes... Compras para a ceia de natal, para o réveillon... Presentes para a família, para os amigos, para os colegas de trabalho... e o amigo-secreto, não vamos nos esquecer, não é? Ahra! Meu vestido... Que brincos compro pra