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Primavera da pandemia

Flores no tempo seco do Cerrado

Quem acompanha este blog sabe que flores são sempre presentes em  nossas postagens, principalmente durante a primavera*. Este ano está sendo diferente. 

As flores ao meu redor chegaram bem tímidas. A seca extrema de Brasília, com a umidade atingindo 11 %, junto com a escassez de água, deixaram meu jardim triste como a pandemia que nos assola desde 2020. 

Nunca usei água a torto e a direito, como se fossem bens inesgotáveis, mas minhas plantas recebiam água em quantidade suficiente. Eu poderia ter continuado no mesmo ritmo, já que não havia desperdício. O que me fez mudar, molhando só os vasos e a horta, foi o aviso dado pela Mãe Terra através do vírus da Covid-19. Se nos anos anteriores, nos meses secos de junho a setembro, eu aguava as plantas uma ou duas vezes por semana, este ano minhas joinhas ficaram quase ao Deus dará. Eu quis economizar ainda mais água, molhando somente o necessário para que elas não morressem. 

Mostro nas fotos o resultado da falta d’água. Como vocês podem ver, a grama secou, as palmeiras idem e a trepadeira sapatinho-de-judia quase morreu. Outras morreram ou estão quase mortas.  

Uma lição da natureza que eu já sabia mas nem sempre colocava em prática: plantas nativas resistem ao calor, ao frio, às chuvas ou à seca, em seu habitat. Quando fora de seus lugares de origem não resistem, precisam de muitos cuidados. Já plantei hortênsias e outras plantas sensíveis à seca. Apesar do trabalho extra, elas não resistiram muito tempo. 

Jabuticabas gostam de água, por isto nascem e se multiplicam em brejos. Para se ter pés de jabuticaba em nossos quintais, é preciso aguar com frequência ou usar o truque do filtro de barro enterrado ao seu lado, mantendo-o cheio e pingando gota a gota, dia e noite. Assim a terra não seca e as jabuticabeiras retribuem com os galhos cheios de suas frutinhas com aquele sabor que só as jabuticabas têm. Mas este ano elas sentiram o tamanho da seca e a tristeza do mundo. Em um dos pés nasceu uma - UMA - jabuticaba. No outro pé apareceram algumas em alguns galhos.  

Os passarinhos também sentiram o mundo desabando. Muitos morreram. Esse das fotos, um filhote, encontrei caído embaixo de uma árvore, já quase morto. Apesar dos cuidados que ele recebeu, não resistiu. 

Energias naturais como a solar e a eólica são bem vindas, assim como pensar em modos sustentáveis para todos, no âmbito social, econômico e ambiental. 

A pandemia está aí para nos alertar sobre os  danos que causamos à Terra. O planeta pede socorro e quer expulsar o inimigo que tanto mal lhe faz. Envia vírus, alerta através das mudanças climáticas extremas, mostra que a água pode ficar cada dia mais rara. Avisa que precisamos com urgência mudar nosso modo de vida, não explorando solo e subsolo. É um desafio. Ou mudamos radicalmente ou seremos expulsos. Como diz o teólogo e humanista Leonardo Boff, a Terra não precisa de nós. Nós é que precisamos dela. (“Assim como cuidamos de nós mesmos devemos cuidar da Terra. Ela não precisa de nós, mas nós precisamos dela”. BOFF, Leonardo. Covid-19 A Mãe Terra contra-ataca a Humanidade - Advertências da pandemia. Petrópolis, Vozes, 2021, p. 34 e após inúmeros dados científicos comprovados: “Ou nós mudamos nossa relação para com a Terra e a natureza, num sentido de sinergia, de cuidado e de respeito, ou a Terra poderá não nos querer mais sobre sua superfície.”. - p. 144).

Sapatinho-de-judia** secando 

Grama e plantas secas

As jabuticabas*** deste ano

                 Filhote de pássaro. Ele também não resistiu.

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Pra não dizer que não falei de poesia, confira, neste blog, o poema Primavera:

https://www.luisanogueiraautora.com.br/2021/04/primavera.html?m=0

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*Postagens de flores de outras primaveras:

1-Margarida-das-pedras

https://www.luisanogueiraautora.com.br/2010/09/via-verde-margarida-das-pedras.html?m=0

2- Flor-canhota

https://www.luisanogueiraautora.com.br/2010/09/via-verde-90-flor-canhota.html?m=0

3- Orquídeas - Um festival de cores

https://www.luisanogueiraautora.com.br/2009/09/via-verde-61-orquideas-um-festival-de.html?m=0

Veja mais flores neste blog através das hashtags “flores”, “Flores do Brasil” ou “Via Verde”.

**Veja fotos da flor sapatinho-de-judia em:

https://www.luisanogueiraautora.com.br/2009/05/viaverde-45-sapatinho-de-judia.html?m=1


***Sobre jabuticabas, veja mais postagens neste blog:

1-Olhos de jabuticaba:

https://www.luisanogueiraautora.com.br/2021/09/olhos-de-jabuticaba.html

2- Jabuticaba não pesa na balança:

https://www.luisanogueiraautora.com.br/2012/10/jabuticaba-nao-pesa-na-balanca.html

3-- É tempo de jabuticaba:

https://www.luisanogueiraautora.com.br/2010/09/via-verde-90-e-tempo-de-jabuticaba.html?m=1

4-- Mousse de jabuticaba:

https://www.luisanogueiraautora.com.br/2010/09/via-viajando-nos-sabores-7-mousse-de.html?m=1

Confira alguns poemas de Luísa Nogueira através da tag Via Versos ou na página Via Fotos e Poesia.


Veja neste blog posts sobre livros na Via Livros.



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Confira também a página Livros de Luísa Nogueira


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Comentários

Esmeralda disse…
Muito bom este artigo.
Realmente o início desta primavera com toda esta seca não ajuda muito.
Eu trabalho com produção e venda de grama pela Real Gramas e realmente está difícil mantermos a qualidade das gramas que trabalhamos, que são seis variedades: Grama Esmeralda, Grama São Carlos, Grama Coreana, Grama Bermuda, Grama Batatais, Grama Santo Agostinho. Melhor custo de grama por preço por m2.
O cliente sempre quer receber a grama super verde, como grama artificial ou de futebol profissional da Copa do Mundo. Mas não é bem assim. Os custos para irrigação aumentaram e também, com a falta de água sofremos todos também.
É um balanço.
De qualquer forma, contem conosco para quaisquer duvidas ou cotação sem compromisso de grama. Sempre tentamos fazer o melhor!
Um grande abraço!
Prazer, Esmeralda. Desculpe não ter respondido antes. É que estou reaprendendo mexer no blogger. Fiquei muito tempo só envolvida com as redes sociais, infelizmente.

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