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As mãos que criam o mundo

Mãos que lidam com a terra: A borboleta parece olhar e admirar as mãos do trabalhador  

Em nosso país há muitos trabalhadores vindos de várias partes do mundo, principalmente da América do Sul. Ontem, em uma feira de Brasília, encontrei um desses trabalhadores. Ele mostrava uma borboleta que tinha pousado em suas mãos. Uma borboleta que parecia ter saído, naquele momento, de seu casulo. 

Como sempre estou pronta para mais um clique, imediatamente fotografei aquela pequena mensageira de beleza e paz. Quando olhei a foto, observei que a pequena borboleta parecia olhar as mãos que, com delicadeza, apoiavam seu corpo ainda frágil. Naquele instante vi que eu não tinha fotografado somente um recém nascido ser alado. As mãos da foto, cheias de calos, mostravam bem mais. Na verdade, eu havia fotografado as mãos de um vencedor. Um homem cujas mãos mostravam ser de uma pessoa que faz com que elas, suas mãos, sejam um orgulho para si mesmo, antes de mais nada. Assim, nasceu a crônica 

As mãos que criam o mundo

Uma lição inesquecível sobre perseverança e dignidade


Num dia comum em uma feira de Brasília, testemunhei uma cena linda: uma borboleta, de asas ainda úmidas de casulo, pousa nas mãos de um homem. São mãos calejadas, marcadas por sulcos que contam histórias de terra, semente e massa. Mãos que não esperavam, naquele dia comum, receber a visita frágil e perfeita de uma mensageira alada.

Levo à vista o visor da câmera. Clique. Não fotografo apenas o contraste entre o delicado e o rude; registro a quieta dignidade de um vencedor. Soube depois sua história: nascido em um país vizinho, cruzou fronteiras não como turista, mas como trabalhador. Casou-se com uma brasileira em terras estrangeiras, em projetos onde se plantava esperança. Juntos, rodaram o mundo para fincar raízes aqui, num pedaço de terra brasileira. E ali estavam, na feira, não para consumir, mas para oferecer: empanadas douradas, feitas por aquelas mesmas mãos que agora acolhiam a borboleta.

Há uma lição de vida nesse encontro fortuito. A borboleta, símbolo máximo de paciência e transformação, escolheu pousar justo nas mãos que representam o trabalho que liberta. Ela não busca a mão lisa e ociosa; busca a que fez, construiu e perseverou.

Nossas mãos falam. Elas são o mapa de nossas batalhas e conquistas. Lembrei-me de Scarlett O’Hara, que, arruinada, enterrou as mãos na terra e jurou nunca mais passar fome. Seus calos foram sua coroa. Assim como as daquele homem são seu orgulho.

O trabalho não é apenas sustento; é a afirmação mais humilde e poderosa de que podemos, com as próprias mãos, criar beleza, seja ela uma horta, uma empanada ou o simples gesto de ficar imóvel para não assustar uma borboleta.

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A borboleta ainda com as asas um pouco curvas. Parece que tinha saído, naquele momento, de seu casulo. 

A borboleta sobre a cesta de empanadas


 

#significado do trabalho
#borboleta
#trabalho
#dignidade

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Comentários

Unknown disse…
Muito brigado Luisa pelo su cariño em palabras e imagems, su trabalho e lindo demais!!! Abrazo
Lourdinha Vilela disse…
Oi Luisa, que texto maravilhoso sensível e poético, acrescentando mais valor ao trabalhador, ressaltando a dignidade. As fotos ficaram lindas. Parabéns.
Oi Lourdinha, fico muito feliz sempre que alguém capta as mensagens que tentamos transmitir através de nossas fotos. Obrigada pelas gentis palavras. Um abraço amigo
Eu é que tive a sorte de poder fotografar "mãos que falam" mais que qualquer palavra, Sebastian. Não pude acompanhar 'nossa feirinha' no sábado passado, mas, se Deus quiser estarei lá dia 15, sábado. Pensava que 'empanadas' eram meros pastéis de forno. Puro engano! Parabéns para a culinária de seu país. Abraços