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Via Vida: Lydia (7 de 7): O Sopro do Encontrar



Foto da "Série Lydia", do blog Multivias, em sete postagens de autoria de Luísa Nogueira
Lydia, o Sopro do Encontrar













Há um mês ela se foi.

Dois dias depois, querendo relatar o ocorrido, as palavras me faltaram. Escrevi "Blog em luto". Escolhi, na paleta de cores, a mais negra cor que encontrei. Pensei emoldurar o que escrevi para ficar como numa faixa, anunciando nossa dor. Naquele momento não sabia exatamente o que fazer. Minha cabeça ainda estava "flutuando", como fiquei desde que soube que ela havia nos deixado. Era mais ou menos doze horas da manhã, do dia 27 de maio, quando recebi o telefonema de meu irmão. Telefonei para meu marido, que estava em seu trabalho. Ele veio logo para pegarmos juntos a estrada que nos separa de uma cidade a outra.

Chegamos no final da tarde. A primeira pessoa da família que avistei foi minha querida irmã Betty. Estava na copa. Alguém lhe telefonava, tentando consolá-la. Desde o portão a vi. Passei pela sala cheia sem ver direito quem estava lá e, correndo até ela, nos abraçamos, deixando nossas lágrimas lavarem aquele instante de dor e de consolo mútuo. Não sei quanto tempo ficamos assim, aninhadas no ombro uma da outra.

O corpo de minha mãe não estava lá. Iria do hospital direto para a sala onde seria velado. "É o protocolo do hospital e os preparativos do pessoal encarregado de seu funeral", alguém me disse. Corri para o cemitério levando minha irmã. Muitas pessoas da família já estavam lá, esperando. Pouco depois entra, na sala principal, o caixão com minha mãe. Quando o abriram e a vi deitada, como se estivesse dormindo, não pude me controlar. Abraçando-a e apalpando seu rosto, minha dor queria saber o por quê de não sermos imortais. Por que perdemos quem amamos? Passei a noite ao seu lado, só saindo depois do enterro, no dia seguinte. Ela passou por muitas dores, mas Deus a poupou da dor de ver algum de seus filhos partir antes dela. Todos seus seis filhos estavam presentes em sua cerimônia final.

Como dizia no início, tentava escrever, tentava fazer algo, mas nem minha cabeça nem minhas mãos me ajudavam. Muito menos meus olhos molhados e embaralhados. Foi aí que senti Sua presença; com certeza, Deus estava ao meu lado. Parece que veio me ajudar nessa tarefa difícil. A cada estrela colocada em volta do que tinha escrito, minha mente ficava menos confusa. Comecei a ter respostas. Não duvidei mais de minhas convicções. Sim, somos imortais. Apenas nosso corpo fica para ser abraçado pela terra, fazendo com que sejamos também terra. Ele é uma moldura passageira para nossa alma. Sentindo que não estava só, escrevi:

soprodevidaLydiaLydiaLydiaLydialma

 
Continuei, já num tom mais claro que a faixa de estrelas:

"Ontem foi um dia triste. Triste e sem sol, não fossem as palavras de um dos pastores presentes no culto de despedida de minha mãe. Consolando a todos, familiares e amigos, disse: "A morte é o começo de uma nova Vida".
E assim consegui escrever ao menos algumas linhas.

Decidi, naquele momento, que escreveria durante o mês de junho sobre essa mulher forte, batalhadora e amiga. No oitavo dia após sua partida, comecei postando suas fotos: 1 de 7: Lydia em fotos. As outras partes vieram na corrente das lembranças: 2 de 7: Lydia, a irmã caçula; 3 de 7: Lydia e sua Carolina; 4 de 7: Lydia e suas receitas; 5 de 7: Lydia, um exemplo de vida; 6 de 7: Lydia em vídeo e esta última, 7 de 7: Lydia, o sopro do Encontrar.

Sei que quase nada contei sobre sua vida, mas foi a homenagem que pude fazer à minha mãe. Senti sua presença me orientando e aprovando.

Até logo, minha mãe querida, porque sei que nossas almas estarão lado a lado no sopro de meu Encontrar.

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Nota: Lydia em Vídeo não foi publicado neste blog. Foi distribuído apenas aos familiares que nos pediram uma cópia. 

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