Pular para o conteúdo principal

Via Vida: Lydia (2 de 7): Lydia, a irmã caçula






Lydia, a irmã caçula



Minha mãe era a caçula de oito irmãos. Cinco mulheres e três homens. Havia uma diferença de dezesseis anos entre ela e sua irmã mais velha, nossa amada tia Emília, carinhosamente chamada de tia Miluca.
Olhando assim, percebemos que ela foi tia ainda criança. Segundo ela mesma, seus sobrinhos foram seus irmãos mais novos, ajudando a cuidar de muitos deles.
Era com eles que brincava, se divertia e, quando já mocinha, ia para as festas. Festas nas casas de amigos e vizinhos, nas cidades circunvizinhas e nas fazendas. Como dizia, em seu tempo tudo era motivo para festa, tudo virava "uma festa", até mesmo as alegres cantigas das brincadeiras de roda.
No seu tempo de criança, a meninada corria brincando nas calçadas de suas casas. E sempre em grupos. Hoje é através do computador, da televisão e dos jogos eletrônicos que a criança se diverte. Sabemos que esse 'se diverte' é bem relativo; na verdade a criança do mundo contemporâneo se isola mais do que brinca.

Minha mãe e sua irmã mais velha, nossa querida Tia Miluca

De nossos tios, irmãos de minha mãe, tivemos pouco contato. Tia Miluca foi uma exceção. Como seus filhos já eram maiores, podia ir, de vez em quando, nos visitar. Morávamos em uma outra cidade, Pedro Afonso, norte do estado de Goiás, hoje pertencente ao Tocantins. Outra cidade, outro estado, e ainda tendo como meio de transporte apenas uma opção, via fluvial, através de barcos no Rio Tocantins.

Tudo isso não era empecilho para ela sair do conforto de sua casa, enfrentar barcos ou barcas nem sempre confortáveis e seguros, só para ir ver como estava sua irmã caçula. Queria lhe ajudar, não apenas através da companhia e da amizade de uma irmã, mas também com a educação de seus sobrinhos. Passava uma ou duas semanas conosco, para nossa alegria. Foi para nós como uma segunda mãe. Quando ia embora algo ficava nos faltando, com certeza seu carinho, sua atenção e suas histórias. Suas histórias... eram tantas! Todos os dias, ao anoitecer, nos reuníamos na porta de casa, sentados ao seu redor, ansiosos para ouvir mais uma joia tirada de sua memória. Ainda me lembro dela me dizendo:

-"Ai! Seu cotovelo é muito fino. Está me furando."

Era eu que sentava mais próximo dela. Encantada pela história e embalada por sua voz, não percebia que pouco a pouco apoiava minha cabeça em uma das mãos e... tum! Mais um cotovelo fino em seu colo, coitada.

Tia Miluca era um livro sonoro. Livro sonoro? Não, não, eram tantas e tantas histórias e estórias que não caberiam em um só livro. Ela era na verdade uma biblioteca, uma verdadeira biblioteca sonora.


Nossa saudosa Tia Miluca fazendo croché.



Tia Miluca tinha seus momentos "mágicos". Uma vez fiz uma foto dela assim, num desses momentos que só a fotografia sabe eternizar. Observando suas mãos e seu semblante calmo, parecendo estar num mundo totalmente seu, distante de tudo, percebemos que ela se encontra em um momento de entrega total à sua arte. Essa conexão com nosso eu interior é talvez uma concessão de Deus a todos, porém os que amam o que fazem, ultrapassando a si mesmos, indo além do imaginário, é que conseguem entrar nessa sintonia com o Universo. Fiz esse clic em Goiânia, em nossa casa, nos anos 70. Ela me deu essa colcha branca. Guardo-a com todo carinho. Só a uso em momentos muito especiais. Aliás, ela deu uma colcha de croché para todas suas sobrinhas. Tenho duas feitas por suas mãos. Fez várias para sua filha, nossa querida prima Alba.


Uma artista

Foi também com ela que aprendi trabalhos manuais. Era, como se dizia, "uma crocheteira de mão cheia". Nunca vi peças em croché tão bem feitas como as que ela fazia. Trabalho minucioso, todos os pontos do mesmo tamanho, cronometrados pela habilidade e talento de suas mãos. Uma artista!

Duas irmãs, duas vidas, duas histórias diferentes mas com um ponto em comum: o amor pela família.

-------------------------

Acompanhe este blog e nossas redes sociais.


Instagram: @luisanogueiraautora

Para acessar minha página no Instagram, aponte a câmera de seu celular para a tag de nome abaixo:



















Facebook: Luísa Nogueira 


Pinterest: Luísa Nogueira 


#naturezaemfotosluisan 


-----------


Este blog foi criado com vias direcionadas ao meio ambiente (natureza, sustentabilidade, vida) e desde sua criação citamos e falamos sobre livros. Confira e navegue entre os posts das principais vias:



--------

 

Confira também a página Livros de Luísa Nogueira


——-

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog nos últimos 30 dias

Via Verde: Pequena, Vermelha e Adocicada: Que fruta é essa?

Galhos com frutos maduros e amadurecendo. Há alguns anos compramos uma muda de uma planta que diziam ser jambo. A plantinha foi crescendo e cada vez ficando mais diferente de um jambeiro. Quando começou a frutificar vimos que era uma fruta que não conhecíamos. O pior é que ninguém da vizinhança conhecia. É pequena, tem mais ou menos um quarto do tamanho de um jambo, vermelha e adocicada, quando madura. Você sabe que frutinha é essa? Árvore com tronco e galhos finos. Formato das folhas e frutinhas amadurecendo. Que fruta é essa?  Retiramos a pele de uma delas para mostrar a polpa. A pele é bem fininha... Cada uma das frutinhas possui duas sementes, parecendo uma semente dividida. Duas frutinhas ao lado de um jambo. Essa  foto foi feita ontem, domingo, após a colheita. ----------------------------

Via Verde: As Três Cores do Flamboyant, a Musa das Árvores

Flamboyant vermelho - Apesar desse flamboyant ser uma árvore nova, sua copa dá uma grande e gostosa sombra.  Minha filha, durante uma caminhada, passando sob o flamboyant. Beleza da copa florida Folhas, botões e flores do flamboyant  Flamboyant enfeitando o jardim do Tribunal de Justiça, em Brasília.  Flamboyant, espelho d'água e fachada do TJ.  Flores e galhos retorcidos do flamboyant. Flores do flamboyant - Veja, logo abaixo, esta foto em uma tomada mais próxima. Sempre quis clicar as flores de um flamboyant bem de perto. Não são belas? Flamboyant alaranjado - Três ou quatro árvores dando as boas vindas na entrada de uma lanchonete, na rodovia que liga Goiânia a Brasília ( Lanchonete Jerivá ). Flamboyants do Jerivá Flamboyant amarelo - Este está em Brasília, logo depois da Ponte das Garças - conhecida como 'a ponte do (Conjunto Comercial) Gilberto Salomão', no sentid...

Via Verde: Jurubeba, a Delícia Amarga do Cerrado

Jurubebas colhidas, em ramos saindo de um galho e folhas. Jurubeba: Folhas e frutos. Jurubeba: Galhos espinhosos. Jurubeba, jurupeba, gerobeba, joá-manso e outros nomes populares. ( Solanum paniculatum L .). Família das solanáceas. Que me lembre, comi jurubeba uma única vez, na chácara de uma amiga, perto de Hidrolândia, interior de

Via Verde: Limão Imperial

Como aquela frutinha chamada Noni* que encontramos em Goiânia, o limão imperial , para mim, também é uma novidade. Vi essa muda das fotos em um viveiro de Brasília. Só souberam me informar sobre seu nome. Nada encontrei também nas pesquisas que fiz via Google. O fruto parece uma pequena laranja, porém rajado, como suas folhas. Havia algumas pequenas flores, mas elas não estão bem visíveis nessas imagens. As fotos foram feitas em um horário inapropriado para fotografia. Infelizmente não pude retornar em uma hora melhor para tentar mais alguns cliques. Alguém conhece? Família  Citrus sinensis ? Limão imperial? Limão imperial -------------- *Noni - Veja a post Noni neste mesmo blog. --------------- Obrigada, amigos. De acordo com a estatística do Blogger estamos com mais de 400 mil visualizações de páginas. Neste exato momento (18:38 h) está marcando 401.156 visualizações. Estamos felizes! Queremos dividir essa alegria com todos vocês que por aqui passam....

Via Verde: Folha Santa - I

Flores fechadas e folhas da folha-santa. Ao fundo, um muro recoberto com a planta unha-de-gato. O que mais amo nessa planta, a folha-santa, além da beleza de suas folhas, são suas flores (são flores?). No início, antes de abrirem, parecem cápsulas que, ainda verdes, podem ser 'pipocadas', pois, ao apertá-las, emitem um ligeiro som de estouro. As fotos de hoje são de cachos de suas flores ainda amadurecendo. Vou, numa segunda etapa, mostrar também suas flores já abertas e, depois, a reprodução através, apenas, de uma folha.  Flor es fechadas da planta folha-santa. Ao fundo: Agave Cachos de uma planta da família das crassuláceas - Folha-santa. Ao fundo: Agave, dracena e palmeira açaí. Folha-santa ( Bryophyllum calycinum ). Família das crassuláceas. Sua reprodução é bem fácil: de qualquer pedaço de algum galho podem nascer várias mudas. Uma só muda em pouco tempo transforma-se em uma moita.  É uma planta medicinal. ...

Via Verde: Boas Festas com Carambolas e Romãs

Sorte de quem tem por perto pés de carambolas e de romãs. É nesta época de festas de fim de ano, em pleno verão brasileiro, que eles florescem e frutificam. Enfeitados e coloridos com suas flores e frutos, festejam o Natal e o Ano Novo. Romãzeira - Suas folhas e flores por si só já fazem a festa: vão do verde claro ao verde escuro, passando por tons mesclados de rosa, amarelo e laranja. No meio das flores aparecem pequenas bolas verdes, com cabinhos pendurados. Verdadeiros sinos de Natal! A romãzeira compartilha conosco sua beleza e seus frutos não apenas no Natal. Seus grãos, brilhantes como jóias preciosas, estão presentes na ceia de réveillon. Sim, eles nos remetem a alegres brincadeiras - por muitos levadas a sério: São guardados em carteiras, deixados sob os pratos e por aí vai ... E, dizem, é um sinal de boa sorte para o ano que começa. Caramboleira - Quer um Natal bem brasileiro? Use a imaginação, enfeitando su...

Via Verde: Folhas Milagrosas ou Folhas Mágicas, Chapéu-de-sol ou Figueira-da-índia

 Folhas da figueira, conhecidas como folhas milagrosas ou  folhas mágicas. Folhas e frutos da árvore figueira. Copa de uma fiqueira, conhecida também como chapéu-de-sol ou chapéu-de-praia . Figueiras dando sombra aos carros, em Brasília, no estacionamento do Hospital Brasília . Figueira , terminália, amendoeira, amendoeira-tropical; em Santos (SP), é conhecida como cuca. Já em Angola seu nome é figueira-da-índia*. ( Terminalia catappa é seu nome científico). Família das combretáceas. Por sua imensa copa é também chamada de chapéu-de-sol, chapéu-de-praia, guarda-sol ou guarda-chuva, sendo por isto usada em estacionamentos ou grandes áreas. As árvores das fotos estão no estacionamento que fica em frente ao Hospital Brasília. Seus frutos, parecidos com figos - daí o nome 'figueira', são comestíveis. Quem os ama são os morcegos. Medicinal, tem um largo uso, por isto chamada de árvore das folhas milagrosas ou folhas mági...

Melão-de-são-caetano

  Melão-de-são-caetano ou melãozinho. Você conhece? É comestível ou medicinal? Se você tem alguma informação, deixe aqui, nos comentários. Sei que é uma trepadeira e seus melõezinhos são uma graça. As sementes são pegajosas,  envoltas em uma polpa que, de certa forma, ficam fixas no lugar onde caem. Deve ser um meio de proteção. Veja através das fotos que fiz hoje. Há alguns anos ganhei uma muda que cresceu, mas desapareceu logo depois. O ano passado vi outra planta que crescia mais ou menos no mesmo lugar da mudinha anterior. Pelas folhas percebi que devia ser o melãozinho. Ela apareceu rente a um muro. Como é trepadeira, foi avançando com suas folhas miúdas e hoje encontrei seus frutos já maduros.  Folhas do melão-de-são-caetano  Melãozinho ainda verde Este amadureceu e abriu (explodiu, como fazem algumas plantas para espalharem as sementes?) Duas sementes ficaram coladas no muro.    Este está tão maduro que sua pele (crosta?) começa a abrir Sementes do m...

Via Verde: Folhagens no Outono Brasileiro

Folhagens Caládio Nomes populares: Caládio e tinhorão, entre outros; nome científico:   Caladium bicolor .  Família  das aráceas. Costela-de-adão Nomes populares: Costela-de-adão, monstera, banana-de-mato,  abacaxi-do-reino,  ceriman;  nome científico: Monstera deliciosa . Família das aráceas. A flora nativa do Brasil é rica e diversificada. São plantas com flores e folhagens de cores que passam por todos os tons do arco-íris e de  formas e tamanhos os mais diversos. Em relação às folhagens, há com folhas gigantes, grandes, médias, pequenas e minúsculas. Essas destas fotos são algumas que consegui, aqui e ali, fotografar. Tenho mais fotos. Logo que consiga  identificá-las, deixarei por aqui. ... Cróton Cróton - É um arbusto que pode atingir de 2 a 3 metros de altura. Nome científico: Codiaeum variegatum . Família das euforbiáceas. Dracena (Veja mais sobre dracenas, neste blog, no post 'Dracena fragans, a Bela da T...

Via Verde: Acerola

Acerola Imaginem uma frutífera de porte médio, com mais ou menos três metros de altura, toda verdinha. Como surgindo do nada começam a aparecer pequenos botões rosa que se abrem em flores. Flores lilases, com o centro amarelo. Em alguns dias você tem uma pequena árvore toda colorida. Estou falando de uma 'fábrica' de vitamina C chamada aceroleira. Logo as flores se transformam em mini frutos verdes. Aí você tem de um verde claro - dos frutos, até um verde médio escuro - das folhas, ou seja, tom sobre tom, todo pontilhado de rosa, lilás e amarelo. Os frutinhos crescem, passando do verde ao rosa e depois se pintam de vermelho. Quando maduros ficam com um chamativo vermelho vivo, dançando ao vento e se mostrando. E você, sorridente, começa a colhê-los e a saboreá-los. Que delícia! ------------- Acerola, aceroleira. É também chamada de cereja das Antilhas. Nativa da América Central, América do Sul e das ilhas do Caribe. Além de um grande teor em...